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terça-feira, 25 de junho de 2013

China desaloja camponeses para promover urbanização

Nos próximos 12 anos, a China pretende transferir 250 milhões de moradores de áreas rurais para cidades recém-construídas. É um acontecimento transformador que poderá detonar uma nova onda de crescimento econômico ou sobrecarregar o país durante várias gerações.
O governo, muitas vezes por decreto, está trocando as pequenas moradias rurais por arranha-céus, pavimentando grandes extensões de terras agrícolas e modificando drasticamente a vida dos moradores do campo. A escala é tão grande que o número de novos habitantes nas cidades chinesas será quase igual ao da população urbana dos EUA.
Isso mudará decisivamente a personalidade da China, onde o Partido Comunista insistiu durante décadas que a maioria do agricultores ficasse ligada a seus pequenos terrenos para garantir estabilidade política e econômica. Agora o partido mudou de prioridade para encontrar uma nova fonte de crescimento para a economia, que hoje desacelera e depende cada vez mais de uma classe de moradores urbanos consumidores.
A mudança ocorre tão rapidamente e os custos potenciais são tão altos que alguns temem que a China rural seja, mais uma vez, palco de uma engenharia social radical. Nas últimas décadas, o Partido Comunista hesitou sobre os direitos dos agricultores: distribuiu pequenos terrenos durante a reforma agrícola dos anos 1950, adotou a coletivização alguns anos depois, restabeleceu os direitos no início da era das reformas e agora tenta eliminar os pequenos detentores de terras.
Em toda a China, escavadeiras estão arrasando aldeias que datam de antigas dinastias. Torres brotam das planícies e dos morros. Novas escolas e hospitais urbanos oferecem serviços modernos, muitas vezes às custas da destruição de antigos templos e teatros a céu aberto no campo.
"É um mundo novo para nós", disse Tian Wei, 43, ex-plantador de trigo da província de Hebei, no norte, que hoje trabalha como vigia noturno em uma fábrica. "Toda a minha vida trabalhei com minhas mãos no campo. Tenho nível educacional para acompanhar os moradores da cidade?"
A China abrigou durante muito tempo algumas das menores aldeias do mundo, assim como cidades congestionadas e poluídas. O objetivo do governo é integrar 70% da população do país, ou aproximadamente 900 milhões de pessoas, à vida nas cidades até 2025, duplicando o número atual.
O frenesi da construção é visível em lugares como Liaocheng, que surgiu como posto comercial para agricultores na planície do norte da China. Hoje a cidade é cercada por dezenas de torres de 20 andares que abrigam agricultores sem-terra, que foram empurrados para a vida urbana. Muitos estão felizes com suas novas vidas -eles ganharam apartamentos de graça e dezenas de milhares de dólares pela terra-, mas outros não têm certeza do que farão quando o dinheiro acabar.
O Estado planeja gastos agressivos para novas estradas, hospitais, escolas e centros comunitários -que poderão custar até US$ 600 bilhões por ano. Vastas somas também serão necessárias para pagar pela educação, pelo atendimento de saúde e pelas aposentadorias para os antigos agricultores.
O desemprego e outros problemas sociais também acompanharam o enorme deslocamento. Alguns jovens se sentem felizes por terem empregos que pagam salários de sobrevivência. Outros passam os dias jogando bilhar e videogame.
A urbanização já se revelou um dos fenômenos mais violentos nos 35 anos de transição econômica na China. Disputas por terras são a causa de milhares de protestos anualmente, incluindo dezenas de casos nos últimos anos em que as pessoas se imolaram para não ser desalojadas.
Na década de 1980, cerca de 80% dos chineses viviam no campo, contra 47% hoje.
O novo primeiro-ministro do país, Li Keqiang, indicou em março que a urbanização é uma de suas maiores prioridades, apesar dos desafios.
Além do maior desemprego e da insatisfação, a urbanização poderá resultar em uma subclasse permanente nas grandes cidades e na destruição da cultura e da religião rurais.
A apresentação do plano do governo havia sido marcada originalmente para março, mas foi adiada. Os líderes disseram estar preocupados de que os gastos causem inflação e dívidas.
A maioria das províncias já tem programas de grande escala para transferir os agricultores para torres habitacionais. Os terrenos dos camponeses são entregues à administração de corporações ou de municípios. Foram feitos esforços para melhorar a atração da vida urbana, mas os agricultores geralmente não têm opção além de deixar sua terra.
A motivação dessa iniciativa de urbanização é modificar a estrutura econômica da China para um crescimento baseado na demanda interna por produtos, em vez de nas exportações.
Na teoria, a nova população urbana representa vastas oportunidades para a construção, o transporte público, as distribuidoras de água e energia e os fabricantes de eletrodomésticos, além de trazer uma ruptura do ciclo de agricultores que só consomem o que produzem.
"Se metade da população chinesa começar a consumir, o crescimento será inevitável", disse Li Xiangyang, do Instituto de Economia e Política Mundial, que faz parte de um órgão de pesquisas do governo.
Mas os céticos dizem que a corrida para a urbanização é conduzida por uma visão errada da modernidade. Entre os resultados verificados no Brasil e no México, está a expansão das favelas e da subclasse desempregada, segundo especialistas.
"Existe a sensação de que precisamos nos modernizar e que temos de nos urbanizar", disse Gao Yu, diretor na China do Instituto de Desenvolvimento Rural Landesa, sediado em Seattle (EUA).
Em uma pesquisa do Landesa de 2011, 43% dos moradores de aldeias da China disseram que as autoridades haviam tomado ou tentado tomar sua terra, contra 29% em 2008.
Mesmo quando os agricultores realocados conseguem empregos em fábricas, a maioria os perde aos 45 ou 50 anos, já que os empregadores geralmente querem trabalhadores mais jovens."Para velhos como nós, não há mais nada a fazer", disse He Shifang, 45, que foi desalojada da fazenda de sua família. "Lá nas montanhas trabalhávamos o tempo todo. Tínhamos porcos e galinhas. Aqui só ficamos sentados."
Alguns agricultores que abandonaram suas terras dizem que, quando voltam para casa, mais ou menos nessa idade, não têm terra para cuidar e ficam sem renda. A maioria é excluída dos planos de aposentadoria nacionais.
O plano de urbanização pretende solucionar esse problema dando aos agricultores uma fonte de renda permanente da terra que eles perderam.
Os economistas chineses dizem que, quando os agricultores começarem a trabalhar em empregos nas cidades, eles começarão a pagar impostos e a contribuir para programas de bem-estar social. "A urbanização pode lançar um processo de geração de valor", disse Xiang Songzuo, do Instituto Monetário Internacional na Universidade Renmin.
Mas, mesmo que isso seja verdade, o governo ainda vai precisar de recursos significativos para iniciar os programas.
Atualmente, os governos locais têm receitas limitadas e a maioria conta com a venda de terras para pagar as despesas -uma prática insustentável a longo prazo. Os bancos também estão cada vez mais avessos a emprestar dinheiro para grandes projetos de infraestrutura, pois muitos bancos hoje são empresas listadas em Bolsa e precisam cumprir as exigências de seus investidores.
Na teoria, os governos locais poderiam ser autorizados a emitir títulos, mas, sem um sistema confiável de classificação ou venda de títulos, isso é improvável no futuro próximo. Algumas localidades, porém, já experimentam programas em que pagam pela infraestrutura, envolvendo investidores privados ou grandes empresas estatais que fornecem capital inicial.
Sem fontes de renda próprias, os governos locais não querem permitir que camponeses recém-chegados tenham acesso a serviços urbanos. Enquanto 53% da população do país vivem em cidades, somente cerca de 35% têm autorizações de residência urbana, o "hukou". Esse documento permite que uma pessoa se registre em escolas locais ou se entre em programas médicos.
Um novo plano deverá romper esse impasse, ao garantir algum apoio do governo central para esses programas, segundo assessores econômicos. Mas as fórmulas exatas não estão claras. Conceder plenos benefícios urbanos para 70% da população até 2025 significaria duplicar o número dos que participam de programas assistenciais do Estado.
"A urbanização está no futuro da China, mas a população rural do país está atrasada para desfrutar dos benefícios do desenvolvimento econômico", disse Li Shuguang, professor na Universidade de Ciência Política e Direito da China. "A população rural merece ter os mesmos benefícios e direitos de que gozam os moradores das cidades."

Por, IAN JOHNSON DO "NEW YORK TIMES"

Nota: Lembremos de Maltus disse: Não terá alimentos para todos, a não ser se você for Chinês!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O guia definitivo da PEC-37


Opiniões sobre a PEC-37 estiveram presentes em muitas das placas dos manifestos que tomaram conta das ruas brasileiras nas últimas semanas. Há quem seja a favor e chame esta Proposta de Emenda à Constituição de PEC da Transparência, outros de PEC da Impunidade. No meio desse caos de ideias, fica difícil distinguir os fatos das suposições. Pensando nisso, a GALILEU preparou um guia para que você fique bem informado e possa tirar suas próprias conclusões.



O que é, afinal, a PEC-37?
PECs são Propostas de Emendas Constitucionais - ou seja, ideias apresentadas pelo legislativo (Deputados e Senadores) para alterar a Constituição brasielira, mudando leis já existentes. A PEC-37, especificamente, diz respeito ao Artigo 144 da Constituição Federal, que trata da segurança pública. A proposta é inserir nele um item adicional que diz: "A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo incumbem privativamente às polícias federal e civis dos Estados e do Distrito Federal, respectivamente”. Isso quer dizer, na prática, que ela limitaria a atuação do Ministério Público em processos.



De que forma ela muda a atuação do Ministério Público?
“Hoje o Ministério Público não apenas faz denúncias de crimes, como também tem liberdade, concedida pelo Supremo Tribunal para investigar os mesmos. Ele não precisa esperar a polícia para conduzir investigações”, explica o professor de direito da FGV - Rio, Pedro Abramovay. Com a PEC-37, o MP poderia apenas fazer denúncias e as investigações precisariam ser conduzidas pela polícia. O argumento do autor da proposta, o deputado Lourival Mendes (PT do B-MA), é que a PEC não afetaria as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), mas que não estaria nas competências do MP a investigação de crimes. Isso tornaria o órgão titular penal, capaz de denunciar, investigar e participar no julgamento de uma causa, possivelmente trazendo um desequilíbrio - promotores poderiam priorizar provas acusatórias, de interesse do MP, favorecendo julgamentos parciais.



A reação do Ministério Público
O MP é contrário à PEC-37 e, para justificar seu posicionamento, aponta alguns números: de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), só 11% dos crimes comuns são convertidos em investigações policiais e, no caso de homicídios, 8% são apurados. Enquanto isso, entre 2010 e 2013, o Ministério Público propôs 15 mil ações penais, cujos crimes poderiam ter sido prescritos caso aguardassem investigação policial. “E vale lembrar que a polícia é subordinada ao governo e que existem investigações sobre a própria polícia, o que justifica a reação negativa do MP”, conta Abramovay.
O argumento de quem é favorável à PEC é que a polícia teria regras específicas para o inquérito, enquanto o MP não. “As regras são encaradas como proteção. Sem elas, o Ministério Público pode escolher em que casos atuar e criar suas próprias regras”, explica o professor.
Os relatores da PEC fizeram revisões no texto do item - entre elas uma que pregava que o órgão poderia atuar em casos de morosidade policial ou vencimento de provas. Mas o MP continua não concordar com a proposição, já que tanto a redação anterior quanto a atual pedem por autorização da justiça para que a investigação fosse feita. Ele se nega a concordar com proposições que tirem seu poder de investigação, mas já afirmou que aceita a criação de regras para investigações próprias e de promotores e procuradores.



O que falta para a PEC-37 ser aprovada ou recusada?
A proposta, criada por uma comissão de parlamentares, deverá ser votada na Câmara dos Deputados no próximo dia 26. Para ser aprovada, ela precisará conseguir 60% de votos favoráveis nesta e em uma segunda votação. Se for aprovada nas duas, seguirá para o Senado, onde deverá ser discutida e votada duas vezes, como na Câmara.


Fonte: Revista Galileu

por, Luciana Galastri

Unicamp é única latino-americana entre as melhores com menos de 50 anos

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) é a única instituição de ensino superior da América Latina na lista das cem melhores universidades com menos de 50 anos. A universidade brasileira está em 28o lugar na lista preparada pelo THE (Times Higher Education) -- posição bem melhor do que no ranking do ano passado, em que estava em 44° lugar.
A universidade brasileira é também a única dos BRICs. China, Rússia e Índia têm universidades "jovens", mas nenhuma delas está entre as cem melhores do mundo com menos de 50 anos.
Os primeiros lugares da lista são ocupados por universidades de países europeus e asiáticos. Ao todo, 28 países têm universidades no rankings das mais jovens.
Uma diferença em relação à listagem do ano passado, de acordo com a análise do físico da Unicamp Leandro Tessler, estudioso em ensino superior, é a antrada de instituições de países em desenvolvimento como Irã, Arábia Saudita e Turquia. A Universidade Koç, da Turquia, por exemplo, está em 31° lugar. No ano passado, ela nem entrou na lista das cem melhores instituições jovens.


MENOS UMA
Apesar de o Brasil estar bem em relação aos países vizinhos, o número de instituições brasileiras na listagem caiu. A Unesp (Universidade Estadual Paulista) perdeu posições e saiu da lista das cem melhores. No ano passado, a Unesp estava em 99° lugar.
Desde 2012 o THE elabora uma listagem específica com metodologia própria para as universidades com menos de 50 anos. A ideia é estabelecer uma comparação mais justa entre essas instituições.
No ranking internacional do THE, feito desde 2004, todas as universidades são comparadas entre si a partir de critérios ligados à qualidade de ensino e de pesquisa. Isso prejudica a avaliação das instituições mais jovens, que são comparadas a instituições como Harvard, dos Estados Unidos, que começou a funcionar no século 17.
A lista das melhores com menos de 50 anos, no entanto, muda a cada ano porque as universidades "envelhecem". Se passar dos 50 anos, a instituição deixa de fazer parte do grupo.

Fonte: Folha de São Paulo
por SABINE RIGHETTI

quinta-feira, 14 de março de 2013

Florestas tropicais são capazes de resistir ao aquecimento global

Estudo mostra que florestas da América, Ásia e África podem sobreviver às mudanças climáticas do século 21

 

Amazon - Brazil, 2011.<br /><br />©Neil Palmer/CIAT

 

Uma nova pesquisa publicada neste domingo (10/03/2013) mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam. Na análise mais completa já feita sobre o perigo de as florestas tropicais entrarem em colapso por causa das emissões de gases do efeito estufas ao longo do século 21, os pesquisadores mostraram que elas serão capazes de suportar a maior parte dos danos trazidos pelo aumento de temperatura. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.
Como as florestas são capazes de armazenar uma grande quantidade de carbono, sua capacidade de resistir aos efeitos do aquecimento global é importante para o planejamento de novos programas de redução de emissão de gases do efeito estufa e de combate ao aquecimento do planeta. No entanto, essa capacidade era, até agora, incerta. "Desde os anos 2000 que se discute sobre a capacidade de a Amazônia resistir às mudanças climáticas. Algumas previsões eram muito catastróficas, mas a incerteza dos modelos usados na época ainda era muito grande", disse José Marengo, pesquisador do INPE* - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - e um dos autores da pesquisa, em entrevista ao site de VEJA.
Para realizar esse tipo de medição, os pesquisadores têm de lidar com dois tipos de incerteza. Uma delas leva em conta os diferentes aumentos de temperatura projetados para o século 21, e a outra é referente aos processos fisiológicos das plantas, que ainda não estão completamente desvendados. Por causa disso, os pesquisadores usaram simulações de computador para calcular a resiliência das florestas em 22 modelos diferentes, com aumentos de temperatura que iam até quatro graus Celsius. Os cálculos levaram em conta as florestas tropicais da América, Ásia e África.
Como resultado, descobriram que em 21 dos 22 modelos as florestas seriam capazes manter sua cobertura vegetal — ou recuperá-la— após o aumento de temperatura. Em apenas um caso houve uma diminuição nas florestas, e apenas na América. "A pesquisa mostra que não chegaremos ao extremo de as florestas desaparecerem. Na maior parte dos casos, elas podem até perder uma pequena parte de seu estoque de carbono, mas não chegarão a perder tanta massa a ponto de entrar em colapso", disse Marengo.

 

INCERTEZAS
Ao comparar os diferentes modelos, os pesquisadores descobriram que a maior parte das incertezas nessa medição vem dos processos fisiológicos das plantas, e não das diferentes projeções de aquecimento global. "A grande surpresa em nossa análise é que a incerteza nos modelos ecológicos das florestas tropicais é significantemente maior do que a incerteza vinda das diferenças nas projeções do clima", diz David Galbraith, pesquisador da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que participou da pesquisa.
Apesar de o estudo sugerir que o risco de as florestas sofrerem danos por causa do aquecimento global são pequenos, os pesquisadores deixam claro que não se trata de um sinal verde para a emissão de gases do efeito estufa. Eles lembram, por exemplo, que seus modelos não levaram em conta as queimadas e a derrubada intencional das florestas, que também podem afetar a quantidade de carbono armazenado. "A pesquisa não pode ser interpretada como um sinal para continuar desmatando e liberando gás carbônico na atmosfera. Ela apenas mostra que o cenário não é catastrófico: as florestas perderão robustez, mas continuarão sendo florestas", afirmou José Marengo. "Descobrimos que a floresta é razoavelmente resistente às mudanças climáticas. Não podemos continuar puxando essa resistência em direção ao colapso".


CONHEÇA A PESQUISA

TÍTULO ORIGINAL: Simulated resilience of tropical rainforests to CO2-induced climate change
ONDE FOI DIVULGADA: periódico Nature Geoscience
QUEM FEZ: Chris Huntingford, David Galbraith, Lina M. Mercado, Oliver L. Phillips, Owen K. Atkin, Carlos Nobre, Jose Marengo
INSTITUIÇÃO: Centro de Ecologia e Hidrologia, na Inglaterra
DADOS DE AMOSTRAGEM: 22 modelos climáticos que analisaram como as florestas tropicais da América, Ásia e África responderão ao aumento de emissão de gases de efeito estufa durante o século 21
RESULTADO: Os pesquisadores descobriram em 21 dos 22 modelos as florestas não sofreram grande perca de massa vegetal. Em apenas um caso, as florestas sofreram dano, mas somente na América.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Formação do Furacão Sandy visto de um satélite

A Nasa (Agência Espacial Americana) divulgou um vídeo com imagens do nascimento do Furacão Sandy, no Caribe, até o "Landfall", ou seja, quando um ciclone, furacão, etc., move-se sobre a terra depois de estar sobre a água. Em tempo: até agora, 30/10/12, morreram 30 pessoas. E estamos falando de EUA, pais altamente civilizado e tecnológico. Imaginem se fosse aqui no Brasil?!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como poderíamos ser melhores que somos!!

Olá galera!!!

Não sei por que, mas sempre reluto de falar sobre isso aqui no blog. Mas hoje, vendo uma notícia que saiu no UOL Educação sobre um universitário que gasta apenas R$ 11,00 por dia, decidi escrever.

Bem. Sabemos que hoje em dia tudo, digo, tudo mesmo, está muito fácil. Como disse certa vez um político sobre os benefícios que o então Presidente Lula dera aos menos necessitados: "Na minha época o Governo ensinava a pescar; hoje ele dá o peixe". E é sobre isso que vou falar.

Quando éramos estudante secundarista (da educação básica), éramos obrigados a estudar, pois não tínhamos a facilidade que os alunos tem hoje. É reposição, é recuperação, é reposição da recuperação, enfim, são muitos benefícios para pessoas que não merecem. Não entro no mérito do Sistema Educacional, mas sim da banalidade que está hoje.

Era bom naquele tempo (só uma explicação: não que não existia reposição quando estava no ensino médio, mas na escola que estudava não tinha.) se tivesse reposição. Hoje o aluno faz reposição por nada. Alega que está doente (e a escola não pode fazer nada, já que é a família que comunicou o fato). Se está no regimento da escola então está acobertado em fazer tal avaliação fora do programado.

Em vez de estudar mais os alunos praticamente ignoram tal tempo a mais e não fazem absolutamente nada.

Em as recuperações? No meu tempo (repito, na minha escola) era só uma no ano e no último bimestre. Ainda hoje há escolas que praticam tal método, mas os alunos....... Não fazem nada para evitar. Hoje o comum é ter recuperação bimestral. Neste aspecto, lembro-me de um colega de classe meu chamado Espíndola. Espíndola se estudasse hoje, realizaria um sonho antigo dele que era não fazer final. Fique da quinta (hoje sexto ano) até o segundo ano do médio com ele e em todos os anos ele fez final. Não por que ele não estudava, mas por que eram muitas provas e ele tinha que escolher aquela que estava em maus lençóis.

Estou escrevendo isso para que vocês alunos entendam que as nossas falas (nós professores) em sala de aula da importância do estudo é por que nós sabemos que mais cedo ou mais tarde você aluno vai se arrepender de não ter estudado adequadamente.

Reflita com a notícia que estou colocando abaixo do aluno que mencionei no início do post.

Boa noite!!!!!!!!

Notícia vinculada no site UOL. (para ler na íntegra, clique aqui.)

Aluno carente da USP passa o dia com R$ 11; veja o que estudantes fazem para se manter

Ingressar na universidade pública é o sonho da maioria dos jovens brasileiros de baixa renda. Entretanto, essa não é uma tarefa fácil. Dentre diversos motivos, relatados por estudantes carentes em entrevista ao UOL, os principais deles são o sucateamento da educação básica e a dificuldade financeira em se manter na faculdade.
Aluno do curso de contabilidade na USP, oriundo de escola pública, Enedino Neres da Cruz Júnior, 19, resolveu abandonar o trabalho como auxiliar administrativo para se dedicar aos estudos. O esforço deu frutos e ele conseguiu ser aprovado nos vestibulares mais concorridos do país – USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade de Campinas). “Somos sempre o herói da nossa própria história”, diz o adolescente.
O jovem diz não ser fácil se manter na faculdade. No dia em que o UOL o acompanhou, ele gastou apenas R$ 11. “Nas primeiras semanas, tive dificuldade para pagar os três ônibus que utilizo para chegar à universidade. Depois que eu recebi a bolsa fiquei mais aliviado”, conta o estudante, que recebe um auxílio no valor de R$ 300 mensais, além dos tickets de alimentação popular (R$ 1,90 cada), ambos disponibilizados pela USP.
Morador do Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, o universitário é o primeiro de sua família a ingressar no ensino superior público. Os pais de Enedino são divorciados e ele mora com a mãe, que trabalha como empregada doméstica e o ajuda com os gastos acadêmicos -livros, condução, alimentação e xerox.

Bilhete único sem crédito
A realidade social dos colegas de faculdade de Enedino é bem diferente da sua. “Nos primeiros dias de aula as pessoas comentavam que tinham ganhado um carro dos pais, porque passaram na universidade, e eu estava ali apenas com o meu bilhete único sem crédito, mas feliz.
“O convívio com a nova galera da faculdade é complicado. Eu estava acostumado a lidar com pessoas de poder aquisitivo relativamente baixo e agora estou aprendendo a conviver com indivíduos cuja situação financeira é mais cômoda. Mas é uma questão de adaptação.”
Enedino sonha em viajar para o exterior, dar uma vida melhor e tranquila para a mãe e trabalhar em uma instituição internacional. “Gostaria trabalhar na ONU (Organização das Nações Unidas), OMC (Organização Mundial do Comércio) ou no Banco Mundial”, revela o universitário,que atualmente trabalha como voluntário em um cursinho popular.

Estágio e curso
Morador de Caieiras, interior de São Paulo, Guilherme Duarte, 21, caçula de três filhos, é o primeiro da família a ingressar no ensino superior público. Com uma renda familiar de R$ 1.800 mensais, o estudante não conseguiria pagar a graduação se não tivesse ingressado na universidade pública. O universitário conta como é estudar engenharia naval (USP) e conciliar o estágio, já que seu curso é integral.
“Estagiar é importantíssimo na carreira de qualquer universitário. As pessoas saem da Poli (Escola Politécnica da USP) com muito conhecimento técnico, mas muitas vezes sem nenhuma experiência profissional. Além do dinheiro, que para mim é importante, acredito que a prática também contribuiu para o aprendizado”, avalia Duarte, que trancou algumas disciplinas escolares para poder trabalhar e estudar.
Antes do estágio remunerado, Guilherme se mantinha na universidade por meio de bolsas de estudos. “Nos dois primeiros anos de faculdade eu recebi um auxílio financeiro da Associação dos Engenheiros Politécnicos, no valor de R$ 465 mensais, além da bolsa de iniciação científica.”

86 quilômetros por dia
Enfrentar a distância entre Caieiras e o Butantã (86km), onde está localizada a Cidade Universitária, e o trânsito de São Paulo são alguns dos desafios constantes na rotina de Guilherme, que demora cerca de 2h para ir de um lugar ao outro. “Não ter carro e depender de transporte público dificulta. Eu já perdi várias provas porque cheguei atrasado.”
Estudar no exterior é um dos próximos passos que o jovem deseja dar para alcançar seus objetivos. “Quero me formar, viajar, conseguir um bom emprego e assumir alguma posição de alto escalão ou ser empreendedor”, deseja o futuro engenheiro.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cogumelo que emite luz é encontrado no Brasil após 170 anos; Fungo bioluminescente é o maior do Brasil e um dos maiores do mundo.

Olá galera!!!

Nesses dias de férias a atualização do blog está cada vez mais rara. Só para não perder o pique, vamos pingar o que está acontecendo no mundo moderno.

Todos nós sabemos que os fungos são seres heterótrofos por absorção, istó é, realizam a digestão extra-celular e, com isso, lanças enzimas para fora (isso explica por que os fungos são excelentes decompositores!)

Veja abaixo uma notícia retirada da BBC Brasil relacionada com os fungos: (para ver a notícia diretamente no site da BBC Brasil, clique aqui)

Pesquisadores encontraram no Piauí um cogumelo que emite luz e que tinha sido avistado pela última vez há quase 170 anos. A pesquisa do grupo de cientistas da USP e das universidades americanas de São Francisco e de Hilo, no Havaí, será publicada na revista científica Mycologia.

O Neonothopanus gardneri é o maior fungo bioluminescente do Brasil e um dos maiores do mundo.

'Já tinha encontrado alguns cogumelos que emitem luz no Brasil, mas menores, alguns do tamanho de um fio de cabelo', disse à BBC Brasil o professor Cassius Vinicius Stevani, do Instituto de Química da USP. 'Este foi o maior, um grupo deles emite quantidade considerável de luz', afirmou.

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Neonothopanus gardneri é o maior fungo bioluminescente do Brasil (Foto: Cassius V.Stevani_IQ_USP

'Flor de coco'

Em 1840, o cogumelo foi descoberto pelo botânico britânico George Gardner quando viu garotos brincando com o que pensou serem vagalumes nas ruas de uma vila onde hoje fica a cidade de Natividade, em Tocantins.

Chamado pelos locais de 'flor de coco', o fungo bioluminescente foi classificado como Agaricus gardeni e não foi mais visto desde então.

'Fiquei sabendo que existiam ainda fungos assim por volta de 2001. Nos anos seguintes, me chegavam relatos de Tocantins e Goiás de um cogumelo grande, amarelo, que emitia uma luz', diz Stevani. 'Mas fotografia mesmo vi só em 2005, uma tirada no Piauí', afirma ele, que já participou de expedições noturnas para a coleta do cogumelo. 'As buscas acontecem em noites escuras, de lua nova, com as lanternas desligadas', explica.

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A ciência ainda não desvendou o processo químico que permite que o fungo produza luz (Foto: Cassius V.Stevani_IQ_USP )

Curiosamente, o cogumelo ainda é conhecido popularmente em várias partes do país como 'flor de coco'. Existem 71 espécies de fungos que emitem luz, 12 delas estão presentes no Brasil . A ciência ainda não desvendou o processo químico que permite que o fungo produza luz, nem a razão disso.

Uma das teses consideradas é a de que a luz é emitida para atrair insetos noturnos, ajudando os fungos a dispersar seus esporos para a reprodução. Outra diz que a luz atrai insetos predadores que atacam insetos menores que se alimentam do fungo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Animais que voltam, ou nunca foram.

Olá galera!!

Não, não. Esse não é mais uma daquelas notícias sobre vida após a morte, e sim sobre fatos que são, no mínimo, curiosos.

Animais que antes foram considerados extintos e que de uma hora para outra reaparecem. Mas, como? Mágica?

A melhor explicação para esse fato está no tipo de hábitat desses animais. Animais que vivem em locais de difícil acesso (as vezes impossível) e que tem por excelência uma população pequena por seu restrito nicho ecológico “desaparecem” e “reaparecem” constantemente.

Abaixo, uma compilação de reaparecimentos de alguns animais, retirado do Portal Terra.

1. Lobo Mexicano cinzento

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A população do lobo mexicano cinzento é tão pequena que o nascimento de 5 filhotes em julho de 2010 foi considerado um "impacto dramático" pelo Centro de Lobos Ameaçados, em St. Louis, nos Estados Unidos. Segundo a instituição, apenas 42 desses animais vivem hoje no seu habitat natural no Novo México e Arizona. A espécie já foi considerada extinta.

 

2. Loris

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O raríssimo Loris delgado das planícies Horton (Loris tardigradus nycticeboides) passou mais de 60 anos tido como extinto. Em 2002, a Sociedade Zoológica de Londres encontrou o primata após mais de 200 horas analisando os rastros do animal no Sri Lanka.

 

3. rato arbóreo de Santa Marta

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O rato arbóreo de Santa Marta (Santamartamys rufodorsalis) foi "redescoberto" em 4 de maio de 2011, após mais de 100 anos sem ser visto na Colômbia.

 

4. Laonastes

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Um tipo de roedor chamado Laonastes, parecido com um esquilo e descoberto em 2005 no Laos, é, na verdade, sobrevivente de uma espécie tida como extinta há 11 milhões de anos (denominada Diatomyidae). Uma equipe de pesquisadores americanos, franceses e chineses comparou o esqueleto deste animal com o de vários espécimes fossilizados de uma raça de roedor do Sudeste Asiático extinta há 11 milhões de anos, confirmando que se trata da mesma família de mamíferos.

 

5. Rã Litoria castanea

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A espécie de rã minúscula Litoria castanea, supostamente extinta há três décadas, foi vista no sudeste da Austrália em fevereiro de 2010. O animal tem coloração verde com manchas em tons de dourado.

 

6.Minhoca gigante de Palouse

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Pesquisadores da universidade de Idaho, nos Estados Unidos, encontraram em março de 2010 uma espécie de minhoca considerada extinta: a gigante de Palouse. Contudo, a descoberta também teve um lado decepcionante, já que eles descobriram que a minhoca, apesar do nome, não é gigante, nem cheira a lírios, conforme se dizia sobre a espécie. Uma das minhocas encontradas teve que ser morta e dissecada para a identificação como sendo da espécie.

 

7. Celacanto

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O peixe primitivo Celacanto era tido como extinto juntamente com os dinossauros há 65 milhões de anos. Porém, o curador de um museu sul-africano "redescobriu" o animal em 1938. Existem apenas duas espécies de Celacantos: uma que vive perto das Ilhas Comoros, na África; e uma encontrada nas águas de Sulawesi, na Indonésia. Cientistas sugerem que a população atual do animal esteja em mil remanescentes.

 

8. Leão do Atlas

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A subespécie Panthera leo Leo encontra-se extinta na natureza e só pode ser encontrada em zoológicos. Até agora. Esssa subespécie, conhecida como leão do Atlas, foi extinta no século XX, e apenas um pequeno grupo no Zoológico Nacional do Marrocos sobreviveu. Dois filhotes de leão da subespécie nasceram em fevereiro deste ano no zoológico de Hannover, na Alemanha. A reprodução controlada dos leões do Atlas, também conhecidos como leões berberes ou de Barbary, salvou a subespécie da total extinção e alguns indivíduos foram levados à Europa para aumentar a população. O Panthera leo Leo é o maior e mais pesado dos leões. Além do tamanho, chama a atenção no macho a juba espessa que cobre uma área maior do corpo se comparado com outras subespécies. O pelo do leão do Atlas mais longo chega às pernas da frente e ao abdome.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Receita Da Vida

Experimento Da "Sopa" Criadora Dos Primeiros Seres Vivos Chega Aos 50 Anos Cercado De Controvérsias

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Quando o estudante de química Stanley Miller e seu professor Harold Urey conseguiram fabricar em laboratório algumas moléculas simples usadas por seres vivos, a criação de uma teoria consistente para explicar a origem da vida parecia não estar longe. Mas não foi o que aconteceu.

O experimento que mudou a maneira de os cientistas pensarem sobre a origem da vida na Terra completa no dia 15 de maio seu 50º aniversário de publicação, mas o clima da festa parece ser diferente daquele vivido em 1953.

Após meio século de pesquisas, cientistas já se deram conta de que o primeiro ser vivo - o micróbio "Adão" ancestral de todas as formas de vida que já passaram sobre a Terra - devia ter uma bioquímica bem diferente de qualquer organismo conhecido hoje. Quando Miller bolou o experimento há 50 anos, sua intenção era testar uma teoria do russo Alexander Oparin. Ele supôs que há 4 bilhões de anos, quando teria surgido a vida, a atmosfera da Terra não tinha oxigênio. As moléculas que formaram o primeiro micróbio teriam surgido pela ação de relâmpagos em uma mistura gasosa de amônia, metano e hidrogênio, sobre um caldeirão oceânico emanando vapor de água. O cenário exótico ganhou o apelido de "sopa primordial".

Reproduzindo essa mistura em laboratório, Miller surpreendeu a comunidade científica ao revelar que tinha conseguido produzir alguns tipos de aminoácidos, os "tijolos" moleculares que compõem as proteínas dos seres vivos.

Após alguns anos, geólogos mostraram ser improvável a Terra ter abrigado essa atmosfera exótica. Mas o trabalho de Miller continua motivando pesquisas sobre a origem da vida, um dos enigmas mais desafiadores da ciência.


Primeiro Ser Vivo Sumiu Sem Deixar Pistas Materiais

Em 1953, ao mesmo tempo em que um estudo de Urey e Miller sobre o experimento era examinado para publicação na revista britânica "Nature", passava pelas mãos dos editores o manuscrito de Francis Crick e James Watson sobre a estrutura do DNA, a molécula que guarda informação para o desenvolvimento de todos os seres vivos. A partir daquele ano, os cientistas teriam à mão a lista dos cinco tipos de ingredientes moleculares para fazer um ser vivo: aminoácidos (compõem as proteínas), açúcares, fosfatos e bases nitrogenadas (compõem o DNA). O problema é que, mesmo que jogássemos essas moléculas em uma sopa, seria impossível o movimento aleatório ter formado de uma hora para outra uma estrutura tão complexa quanto um ser vivo. A natureza teve que seguir uma receita em muitos passos, e os cientistas ainda tentam saber quais foram.

"O estudo da origem da vida difere marcadamente de outros problemas científicos porque tem como meta a reconstrução de um passado remoto do qual conhecemos muito pouco", diz José Fernando Fontanari, professor do Instituto de Física de São Carlos (USP). Ele se dedica, com seu grupo de pesquisas, a resolver alguns dos quebra-cabeças que impedem a formação de uma teoria consistente e abrangente para a origem da vida. Essa meta, por enquanto, é um desafio, pois há diversas teorias restritas apenas a partes do problema, e muitas não se encaixam umas nas outras. Fontanari, que tem vários estudos sobre o assunto publicados na revista "Physical Review Letters", compara seu trabalho com o de um detetive encarregado de resolver um crime sem vestígios materiais. "O melhor que se pode fazer é propor cenários que poderiam ter ocorrido", diz.

A maior das dificuldades para esses cientistas talvez seja a total ausência de fósseis dos primeiros seres a habitar a Terra. Mesmo os registros de vida mais antigos que se conhece parecem ser de micróbios bastante desenvolvidos. Já foram encontrados fósseis de estromatólitos (um tipo de colônia de micróbios) com 3,5 bilhões de anos de idade. Mas os seres unicelulares que os formaram provavelmente já eram bastante parecidos com bactérias de hoje em dia. Fósseis microbianos, aliás, são um assunto bastante controvertido. Alguns pesquisadores acham que o sinal mais antigo da vida não possui mais de 2,7 bilhões de anos.

Sem ter fósseis à mão, cientistas tentam agora achar alguma pista sobre a origem da estrutura bioquímica dos seres vivos. O problema é que as duas peças-chave da vida de hoje em dia - o DNA e as proteínas - provavelmente não estavam presentes nos seres vivos que surgiram há cerca de 4 bilhões de anos.


Requentando A Sopa

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Apesar de os dados do experimento de Urey-Miller serem bastante questionáveis hoje, muitos estudiosos que pesquisam a origem da vida o consideram o marco mais importante da área. Até 1953, ainda era disseminada entre cientistas a crença de que a vida seria produto de alguma lei misteriosa da natureza, e não poderia ser explicada pela química convencional. "Mas Miller mostrou que a origem da vida era um assunto que podia ser investigado cientificamente", diz o químico Leslie Orgel, do Instituto Salk, da Califórnia, um dos mais influentes hoje nesse campo de estudo.

Os aminoácidos obtidos por Urey e Miller não eram de todos 20 tipos existentes, e até hoje nenhuma mistura de gases em testes do estilo "sopa primordial" foi capaz de produzir sozinha todas as variedades. O ambiente usado no teste de Miller era inspirado na atmosfera de planetas gigantes, como Júpiter, que tem uma composição não-oxidante, diferentemente da Terra primitiva. "É bem possível que alguns aminoácidos tenham vindo de outros planetas. Eles podem ter aparecido lá pelo mecanismo proposto por Miller", diz Orgel. Não por acaso, já se achou aminoácido em meteoritos.


Nem Ovo, Nem Galinha

O DNA é hoje o guardião de toda a informação genética das espécies e é nele que ficam as "instruções" usadas pelo organismo para fazer proteínas - as moléculas que de fato "trabalham" para manter uma célula viva. O problema é que, para poder se reproduzir e deixar "descendentes", o DNA precisa de uma proteína, chamada polimerase. Se perguntarmos quem surgiu primeiro, caímos num paradoxo do tipo ovo-galinha: um depende do outro.

DNA e proteínas compõem a maquinaria celular de qualquer ser vivo conhecido, seja ele um humano, uma ameba ou uma bactéria. Temos essa semelhança com micróbios porque tivemos um ancestral em comum - um ser unicelular também baseado em DNA e proteínas. Acontece que esse micróbio não foi o primeiro a habitar a Terra, e não temos como deduzir de cara o que veio antes dele. Mesmo que já tivéssemos mapeado o genoma de todos os seres vivos de hoje, o máximo que poderíamos fazer seria mostrar como era o último ancestral comum. O primeiro ser vivo, ancestral desse ancestral comum, continuaria sendo um mistério.

A principal solução que cientistas propõem para explicar a origem do sistema interdependente de DNA e proteínas está em uma outra molécula, o RNA (sigla de ácido ribonucléico, em inglês). O RNA é hoje uma espécie de intermediário entre o DNA e a síntese de proteínas, mas os cientistas acreditam que nem sempre ele teve esse papel secundário.

O RNA tem uma estrutura linear de polímero (molécula em corrente) semelhante ao DNA, por isso também é capaz de guardar informação genética. Na verdade ele é quem "lê" a informação do DNA e a transporta para sintetizar proteínas. Além disso, ele é capaz de atuar como alguns tipos de enzimas, proteínas que controlam reações químicas da célula.

Essa versatilidade do RNA levou o bioquímico Leslie Orgel, do Instituto Salk, na Califórnia, a criar uma solução teórica tida até hoje como a mais plausível. Sua idéia, lançada no fim da década de 60, era a seguinte: caso uma enzima de RNA fosse capaz de se auto-replicar, poderia ao mesmo tempo guardar informação genética e sustentar o metabolismo de um ser vivo - tudo isso sem precisar do DNA e da polimerase. Orgel previa a existência de um mundo de micróbios de RNA, que só foram desbancados pela seleção natural após surgir o primeiro ser vivo com DNA, molécula muito mais eficaz na tarefa de guardar informação genética e impulsionar a evolução.


Como Foi O Experimento

Uma cavidade com água fervente simulava o oceano primitivo. O vapor reagia com outros gases em meio a descargas elétricas, simulando trovões. O produto da reação era resfriado, e após alguns dias as amostras eram recolhidas para análise.

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"A grande conquista dos últimos 50 anos para nosso campo de pesquisa é o consenso geral em torno da proposta do mundo de RNA", disse Orgel a GALILEU. E isso pode ser considerado meio caminho andado, porque obter consenso nessa área de pesquisa não é fácil. Basta ver o desacordo sobre as teorias para explicar o mundo pré-RNA. Há discussão para saber se a vida surgiu em água fria ou quente, doce ou salgada etc. "Muitos campos da ciência caminham para um período em que há muita especulação antes que haja tecnologia disponível para responder à questão", diz.

Para Orgel, cedo ou tarde a ciência será capaz de descartar teorias e ficar com apenas umas poucas. "Não sei quanto pode demorar, mas deve ser algo entre 5 e 50 anos."

Outro ponto mais ou menos consensual nas teorias sobre a vida primitiva é o fato de que o RNA não foi a primeira molécula auto-replicante a surgir. A ribose, o açúcar que forma a base do RNA, tem estrutura frágil demais para ter surgido em concentrações grandes o suficiente para dar início à vida. O RNA seria a evolução de uma outra molécula mais simples, só que não tão eficiente. "Aí entramos em território desconhecido, pois ninguém sabe ainda qual era", diz Orgel. Pode ter existido mais de uma molécula replicadora antes do RNA.

Resta aos cientistas tentar elaborar hipóteses plausíveis, bolando moléculas com características adequadas para encaixar no quebra-cabeça. Uma dessas criações de laboratório foi objeto do estudo mais recente de Stanley Miller, na Universidade da Califórnia em San Diego. Ele realizou em 1999 um experimento semelhante ao de 1953 (mas com ingredientes diferentes) gerando uma molécula batizada de "PNA" (sigla de ácido nucléico peptídico, em inglês). Outra molécula candidata a precursora do RNA também foi criada artificialmente na Califórnia, pelo Instituto Scripps. Ela se encaixa no RNA, mas é bem mais estável.

Essas invenções bioquímicas ajudam os cientistas a ter uma idéia melhor de o que pode ter acontecido, mas não são capazes de traçar o caminho de volta da evolução na Terra primitiva. "Não acho que chegaremos à teoria de que uma única molécula originou a vida", diz Orgel. "Teremos à mão uma família de moléculas em potencial."


"Pizza Primordial"

clip_image009A origem das moléculas replicadoras não é a única etapa desconhecida sobre a origem da vida. No ano passado, Fontanari publicou um trabalho teórico sobre problemas na origem da síntese protéica: uma molécula "viva" que saísse fabricando proteínas a esmo não tiraria proveito de sua habilidade se fosse incapaz de manter-se perto do seu produto. A resposta para isso é que a vida provavelmente originou-se numa superfície mineral, talvez dentro de pequenas fendas, e não "solta" na sopa primordial. "Já se fala na noção de uma 'pizza primordial' em lugar da sopa", diz Fontanari.

A origem da vida em uma superfície mineral é uma idéia que tem conquistado cada vez mais adeptos, com o acúmulo de evidências em seu favor. Na Terra primitiva, alguns minerais podem ter sido ótimos catalisadores para a replicação de moléculas ainda incapazes de atuar como suas próprias enzimas. Entre os locais onde poderia residir essa "pizza mineral" estão as fontes hidrotermais submersas no oceano, aquecidas por atividade vulcânica. Um dos pesquisadores que trabalha com essa hipótese é o britânico Michael Russell, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Seu estudo mais recente, publicado em dezembro último, diz que o berço da vida seria a estrutura porosa de pequenas cavidades em minerais de sulfito de ferro, presente nessas fontes.

"Sulfito de ferro é um material bem macio", diz Russell. Essas microcavidades teriam sido as primeiras células, e dentro delas teriam surgido as condições favoráveis para a vida se originar. A membrana celular, a "bolsa" que envolve as células de hoje, teria surgido a partir daí. "Nós achamos que o aspecto mais importante da vida é a membrana e que ela foi a primeira coisa a surgir", afirma. Russell diz que sua teoria deve ser submetida a testes experimentais, algo que ainda pode demorar.

"Origem da vida é um problema complicadíssimo, com muito poucos cientistas trabalhando nele, e pouca verba", diz. "Acho que dentro de uns 20 anos vamos ver experimentos importantes." A previsão até que pode ser encarada com algum otimismo. Não seria nada mal levar menos de um século para contar uma história de 4 bilhões de anos.


A Vida Como Ela Era

Os ingredientes dos seres vivos antes de surgir o DNA:

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Tijolos Orgânicos

Antes do primeiro ser vivo aparecer, era necessário que estivessem à sua disposição as moléculas orgânicas relativamente simples, como aminoácidos, açúcares e bases nitrogenadas, que juntas formam as moléculas mais complexas dos seres vivos. Acredita-se que a maioria desses ingredientes tenha se formado em reações químicas na Terra primitiva, mas algumas podem ter chegado ao planeta em meteoritos ou cometas.




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Moléculas Auto-Replicadoras

A condição básica para a origem da vida é o surgimento de um polímero (molécula linear formada por várias moléculas-bases encadeadas) capaz de se auto-copiar sem a ajuda de outras moléculas. Já se mostrou que o RNA (ácido ribonucléico) seria capaz de fazer isso, mas provavelmente ele foi precedido por uma molécula (ou moléculas) mais simples, um proto-RNA.




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Parede Celular

Outro elemento fundamental da vida terrestre é a membrana celular, que nos organismos de hoje protege o material genético de degradação e cria um limite físico para o ser vivo. Alguns pesquisadores acham que ela pode ter surgido antes da primeira molécula replicadora.




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RNA

O RNA provavelmente foi a primeira das moléculas genéticas conhecidas a surgir, pois seria capaz de fazer sozinho aquilo que os seres vivos de hoje só conseguem fazer com ajuda das proteínas. Moléculas de RNA atuariam como catalizadoras - promotoras de reações químicas -, sendo capazes de copiar a si próprias.




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Proteínas

Uma grande conquista das moléculas replicadoras foi a habilidade de fazer proteínas colando aminoácidos. Proteínas são catalisadoras muito melhores e mais especializadas do que moléculas de RNA. Alguns estudiosos acreditam que mesmo antes do RNA catalítico, o código genético já era capaz de produzir algumas proteínas simples.




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DNA

Quando a vida ainda era unicelular, mas já tinha se tornado um bocado complexa, o DNA tomou o lugar do RNA como guardião da informação genética, pois era uma molécula muito mais resistente à degradação. O RNA passou então a exercer um papel de intermediário entre o DNA e os aminoácidos, na produção das proteínas. Hoje o material genético é incapaz de se replicar sem a ajuda de proteínas.



Ilustrações: Daniel das Neves

Revista Galileu – por Rafael Garcia (clique aqui pra ver na íntegra a reportagem)

O novo mapa do Brasil

Entrevista retirada do site da Galileu (para ver na íntegra, clique aqui.)

Propostas no Congresso podem criar mais 11 unidades da federação

No começo do ano, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que propunha a criação de um plebiscito para dividir o Pará em três novos estados: Pará, Tapajós e Carajás. Além dessa votação, oito projetos de lei que propõem a criação de novos estados no país tramitam na Câmara. Entre eles, estão a criação do Maranhão do Sul, do Mato Grosso do Norte e do Estado do Rio São Francisco, na Bahia. Se todos fossem aprovados, o Brasil teria 33 estados, um Distrito Federal e quatro territórios – porções fronteiriças do País que seriam administradas diretamente pelo governo federal. Mas, segundo o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Rogério Boueri, essas novas unidades federativas não seriam capazes de sustentar sozinhos. “Eles seriam muito caros e o governo federal teria que cobrir a diferença”, diz.

Veja entrevista completa com o economista:

Em 2008, você realizou um estudo mostrando que a criação de novos estados no Brasil seria financeiramente inviável. Isso mudou de lá para cá?
Não. Eu desenvolvi uma metodologia pra estimar quanto custa o funcionamento da maquina pública dos estados. Se soubermos qual vai ser a população e o PIB de um novo estado, conseguimos calcular quanto esse estado vai gastar. Atualizando os números do meu estudo de 2008, a criação dos estados de Tapajós e Carajás traria um déficit de dois bilhões de reais por ano.

E de onde sairia o dinheiro para cobrir esse déficit? Do governo federal?
Isso não está especificado, mas não tem existe alternativa. Na proposta de criação dos novos estados, um dos defensores diz que primeiro deveria ser aprovada a criação do estado, para depois se pensar nos custos. Isso deixa claro que ele sabe que o estado vai ter um custo e alguém vai ter que bancar.

De onde veem esses custos?
No caso do Pará, nós vamos ter um monte de estruturas em triplicidade. Por exemplo, vamos ter três executivos: três governadores, três conjuntos de secretários e assessores. Teremos três assembléias legislativas, três justiças estaduais. Enfim, todo um aparato para o funcionamento de um estado. Além de tudo, esses custos possivelmente estão subestimados. Não estou calculando o preço de nenhum tijolo para construir prédios novos ou asfalto para construir estradas. Essa infra-estrutura toda terá que ser paga por alguém. No caso do Tocantins, o último estado a ser criado no Brasil, foi o governo federal quem bancou. Durante dez anos ele ficou suplementando as verbas do estado.

Como é possível saber se um novo estado será capaz de se sustentar?
O que eu faço é calcular o peso da máquina pública em relação ao PIB do novo estado. Minha intenção é medir se ele tem base econômica para sustentar essa estrutura toda. No caso do Tapajós, os gastos estaduais corresponderiam a 51% de seu PIB. No caso do Carajás, seria 23%. A média brasileira é 12,5%. Nós estaremos criando estruturas ainda mais ineficientes.

Então, do ponto de vista orçamentário, não vale a pena criar os novos estados?
São estados que sairiam muito caros e o governo federal teria que cobrir a diferença, porque eles não são auto-sustentáveis. Então vamos criar um estado que no nascedouro já é dependente do governo federal? Isso me parece não ser uma boa política de desenvolvimento. A aprovação desse decreto legislativo que instaura o plebiscito deveria ter tido o cuidado de dizer de onde virá o dinheiro que vai pagar a conta

sábado, 18 de junho de 2011

Nossa herança Europeia

Estudo feito no Brasil mostra que vem da Europa a maior contribuição genética para a formação do povo brasileiro. A surpresa foi encontrar esse resultado também no Norte e Nordeste do país, onde o número de pardos e negros supera o de brancos.

Por: Carolina Drago

A cor da pele já não é um bom indicativo da ascendência dos brasileiros. Um estudo publicado esta semana na revista PLoS One reforça que o segredo para identificar nossos ancestrais está nos genes. E surpreende ao provar que, de Norte a Sul do Brasil, é dos europeus o maior índice de contribuição genética – pelo menos 60% – para a formação do nosso povo.

Já era de se esperar que a ancestralidade europeia predominasse sobre a africana e a indígena nas regiões Sul e Sudeste do país. O inesperado foi encontrar o mesmo resultado, ainda que com pequenas variações proporcionais, no Norte e no Nordeste, onde o número de pardos e negros sempre superou o de brancos.

Para chegar a essas conclusões, pesquisadores de instituições brasileiras analisaram 40 trechos especiais do DNA, conhecidos como indels, de 934 pessoas, nas quatro regiões mais populosas do país. Os lugares escolhidos para representar cada região foram: Belém (PA), pela região Norte; Ilhéus (BA), pelo Nordeste; Rio de Janeiro (RJ), pelo Sudeste; e Porto Alegre (RS), pela região Sul.

“Usamos o genótipo e um programa de computador (Structure) para estimar os componentes de ancestralidade europeia, africana e indígena dos indivíduos nas quatro regiões geográficas avaliadas”, destacam os autores no artigo.

Com esses recursos, o coordenador do estudo, o geneticista Sergio Danilo Pena, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-colunista da CH On-line, e mais 19 pesquisadores observaram que o maior índice de contribuição europeia está no Sul, onde atingiu 77,7%. No Nordeste está o menor, mas ainda assim significativo: 60,6%.

Os números permitem concluir que a ancestralidade não se reflete necessariamente no aspecto físico, como a cor da pele ou o tipo de cabelo. O caso da Bahia, estado escolhido como amostra do Nordeste, serve como exemplo pontual dessa observação: enquanto lá o número de pardos passa de 62% e o de brancos não chega a 21% (segundo o censo de 2008), a contribuição genética dos europeus é maior que 60%.

Vale destacar que a incompatibilidade entre os aspectos físicos e a origem dos ancestrais de uma população tende a se acentuar à medida que a miscigenação aumenta, como acontece no Brasil. Essa característica tem feito do nosso país um importante modelo para estudos de genética de populações e da relação entre a variabilidade genética de indivíduos de populações miscigenadas e sua reação a drogas específicas.

Um Brasil integrado

O estudo coordenado por Pena constatou que os brasileiros de diferentes regiões são geneticamente muito mais homogêneos do que se esperava, como consequência do predomínio europeu.
“Pelos critérios de cor e raça até hoje usados no censo, tínhamos a visão do Brasil como um mosaico heterogêneo, como se o Sul e o Norte abrigassem dois povos diferentes”, comenta o geneticista. “O estudo vem mostrar que o Brasil é um país muito mais integrado do que pensávamos.”
A homogeneidade brasileira é, portanto, muito maior entre as regiões do que dentro delas, o que valoriza a heterogeneidade individual. Essa conclusão do trabalho indica que características como cor da pele são, na verdade, arbitrárias para categorizar a população. Além disso, promete ampliar a visão que se tem hoje sobre tratamentos médicos, muitas vezes diferenciados com base em critérios físicos.
“Cada pessoa deve ser tratada individualmente, e não como um ‘exemplar de um grupo de cores’”, alerta Pena. O aspecto clínico, no entanto, não é o único afetado por essa descoberta.
Sobre o impacto social da revelação de que a origem do povo brasileiro não é exatamente o que se imaginava, o pesquisador acredita que a reação da sociedade depende sobretudo de como a informação será divulgada. “Essa questão, aliás, chega à própria razão de ser da divulgação científica”, finaliza.

Carolina Drago - Ciência Hoje On-line

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Perigos do Celular Pirata

Olá galera!!!
Você sabe o que significa celular pirata? Celular pirata é aquele aparelho que não foi homologado pela anatel (agência nacional de telecomunicações). Esses aparelhos que são vendido em qualquer esquina que recebem dois, três, quatro ou mais chip's não são homologados, com exceção aos que são vendidos em lojas especializadas.
Pois bem. Navegando nos portais de notícias vi uma reportagem muito curiosa; Indiano é eletrocutado e morre ao usar telefone pirata. (veja na íntegra a reportagem clicando aqui)
Dia desses foram publicadas informações de uma pesquisa que durou ao menos 15 anos sobre o perigo das radiações que aparelhos eletrônicos emitem, podendo causar até câncer (veja na íntegra a reportagem clicando aqui e aqui)
Então, muito cuidado quando adquirir esses telefones sem registros, pois com certeza esses aparelhos não passam por pesquisas.
Deixo a dica!!!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ENEM na Escola

Nos dias 18 e 19 de junho o CIC Damas promoverá o ENEM NA ESCOLA.
Siga meu blog e, nos comentários, escreva uma frase sobre o blog. A melhor frase ganhará o passaporte do saber!!

Promoção válida até 15/06/2011
Atenção: é precido seguir o blog para poder participar; não deixem comentários como anônimos!!!!!

domingo, 29 de maio de 2011

Novo Acordo Ortográfico

As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as duas formas de escrever: a antiga e a nova.

Portanto, esse tempo já está se esgotando.

Senti necessidade de postar essa notícia por que toda vez que vou preparar um material preciso consultar a regra para se adequar. Abaixo alguns pontos do acordo.

Veja as regras atuais e o que vai mudar na língua portuguesa:


 

Alfabeto

Nova Regra
¦ O alfabeto será formado por 26 letras

Como é
As letras "k", "w" e "y" não são consideradas integrantes do alfabeto

Como será
Essas letras serão usadas em unidades de medida, nomes próprios, palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos: km, kg, watt, playground, William, Kafka, kafkiano.


 


 

Trema

Nova regra
Não existirá mais o trema na língua portuguesa. Será mantido apenas em casos de nomes estrangeiros. Exemplo: Müller, mülleriano.

Como é
Agüentar, conseqüência, cinqüenta, freqüência, tranqüilo, lingüiça, bilíngüe.

Como será
Aguentar, consequência, cinquenta, frequência, tranquilo, linguiça, bilíngue.


 


 

Acentuação – ditongos "ei" e "oi"

Nova regra
Os ditongos abertos "ei" e "oi" não serão mais acentuados em palavras paroxítonas

Como é
Assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico

Como será
Assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.

Obs.: Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu.


 


 

Acentuação – "i" e "u" formando hiato

Nova regra
Não se acentuarão mais "i" e "u" tônicos formando hiato quando vierem depois de ditongo

Como é
baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva

Como será
baiuca, boiuna, feiura, feiume, bocaiuva

Obs 1: Se a palavra for oxítona e o "i" ou "u" estiverem em posição final o acento permanece: tuiuiú, Piauí.

Obs 2: Nos demais "i" e "u" tônicos, formando hiato, o acento continua. Exemplo: saúde, saída, gaúcho.


 


 

Hiato

Nova regra
Os hiatos "oo" e "ee" não serão mais acentuados

Como é
enjôo, vôo, perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, relêem

Como será
enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, releem


 


 

Palavras homônimas

Nova regra

Não existirá mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual, som e sentido diferentes)

Como é

Pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pêra/pera, pólo/polo

Como será

para, pela, pelo, pera, polo

Obs. 1: O acento diferencial ainda permanece no verbo poder (pôde, quando usado no passado) e no verbo pôr (para diferenciar da preposição por).

Obs. 2: É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?


 


 

Hífen – "r" e "s"

Nova regra
O hífen não será mais utilizado em prefixos terminados em vogal seguida de palavras iniciadas com "r" ou "s". Nesse caso, essas letras deverão ser duplicadas.

Como é
ante-sala, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-rival, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, supra-renal.

Como será
antessala, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirrival, autorregulamentação, autossugestão, contrassenso, contrarregra, contrassenha, extrarregimento, infrassom, ultrassonografia, semirreal, suprarrenal.


 


 

Hífen – mesma vogal

Nova Regra
O hífen será utilizado quando o prefixo terminar com uma vogal e a segunda palavra começar com a mesma vogal.

Como é
antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus.

Como será
anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus.


 


 

Hífen – vogais diferentes

Nova regra
O hífen não será utilizado quando o prefixo terminar em vogal diferente da que inicia a segunda palavra.

Como é
auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, co-autor, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático

Como será
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiárido, semiautomático.

Obs.: A regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por h: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo.


 


 

Trema – desaparece em todas as palavras

Antes

Depois

Freqüente, lingüiça, agüentar

Frequente, linguiça, aguentar

* Fica o acento em nomes como Müller


 


 

Acentuação 2 – some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas

Antes

Depois

Baiúca, bocaiúva, feiúra

Baiuca, bocaiuva, feiura

* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí


 


 

Acentuação 4 – some o acento diferencial

Antes

Depois

Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa

Para, pela, pelo, polo, pera, coa

* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo


 


 

Acentuação 5 – some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar

Antes

Depois

Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você

Averigue, apazigue, ele argui, enxague você

Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas


 


 

Hífen – veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos:

Prefixos

Usa hífen

Não usa hífen

Agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi, sobre, supra, tele, ultra...

Quando a palavra seguinte começa com h ou com vogal igual à última do prefixo: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-imperalista, micro-ondas, mini-hotel

Em todos os demais casos: autorretrato, autossustentável, autoanálise, autocontrole, antirracista, antissocial, antivírus, minidicionário, minissaia, minirreforma, ultrassom

Hiper, inter, super

Quando a palavra seguinte começa com h ou com r: super-homem, inter-regional

Em todos os demais casos: hiperinflação, supersônico

Sub

Quando a palavra seguinte começa com b, h ou r: sub-base, sub-reino, sub-humano

Em todos os demais casos: subsecretário, subeditor

Vice

Sempre: vice-rei, vice-presidente

 

Pan, circum

Quando a palavra seguinte começa com h, m, n ou vogais: pan-americano, circum-hospitalar

Em todos os demais casos: pansexual, circuncisão


 

As novas regras ortográficas estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009. De acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até 2012 valem as duas formas de escrever: a antiga e a nova. No Ano Novo começa o chamado "período de transição". Portugal, que também aprovou o acordo ortográfico, adotará as novas regras até 2014.

O guia acima traz as mudanças que já estão definidas. Ainda há exceções - por exemplo, no uso do hífen - que deverão ser discutidas entre as Academias de Letras dos países que falam a língua portuguesa. Espera-se que a Academia Brasileira de Letras organize um vocabulário até fevereiro de 2009.

Vale lembrar que o que muda é a grafia. Ou seja, nada de pronunciar "lin-gui-ça". A fala continua a mesma, mesmo sem os dois pontinhos em cima do "u".

A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou a 2ª edição de um dicionário que tira dúvidas sobre o uso do hífen nas novas normas de ortografia. As principais definições se referem aos prefixos "co" e "re", que permaneciam uma incógnita. A primeira edição da obra, chamada "Dicionário Escolar da Língua Portuguesa" continha palavras desatualizadas.


 

Verbete 1ª edição

verbete 2ª edição (grafia correta)

antesala

antessala

beribéri

beribéri

chá da índia

chádaíndia

coherdar

coerdar

coherdeiro

coerdeiro

cricri

cricri

cricrilar

cricrilar

frufru

frufru

giga-hertz

gigahertz

gluglu

gluglu

hãhã

mega-hertz

megahertz

nhenhenhém

nhemnhemnhém

pósteroexterior

posteroexterior

pósteroinferior

posteroinferior

pósterointerior

posterointerior

pósterosuperior

posterossuperior

quilohertz

quilohertz

reedificação

reedificação

reedificar

reedificar

reeditar

reeditar

reeducação

reeducação

reeducar

reeducar

reeleger

reeleger

reeleição

reeleição

reeleito

reeleito

reembolsar

reembolsar

reembolso

reembolso

reencarnação

reencarnação

reencarnar

reencarnar

reencontrar

reencontrar

reencontro

reencontro

reengenharia

reengenharia

reentrância

reentrância

reentrante

reentrante

reentrar

reentrar

reenviar

reenviar

reerguer

reerguer

reescalonamento

reescalonamento

reescalonar

reescalonar

reescrever

reescrever

reescrito

reescrito

reestruturação

reestruturação

reestruturar

reestruturar

reestudar

reestudar

reexame

reexame

reexaminar

reexaminar

romeuejulieta

romeu e julieta

tantã (gongo)

tamtam

tão

tão só

tãosomente

tão somente

tintim

timtim

tique taque

tiquetaque

tititi

tititi

xiquexique (planta)

xiquexique

ziziar

ziziar