terça-feira, 25 de junho de 2013
China desaloja camponeses para promover urbanização
segunda-feira, 24 de junho de 2013
O guia definitivo da PEC-37
Unicamp é única latino-americana entre as melhores com menos de 50 anos
quinta-feira, 14 de março de 2013
Florestas tropicais são capazes de resistir ao aquecimento global
Estudo mostra que florestas da América, Ásia e África podem sobreviver às mudanças climáticas do século 21
Uma nova pesquisa publicada neste domingo (10/03/2013) mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam. Na análise mais completa já feita sobre o perigo de as florestas tropicais entrarem em colapso por causa das emissões de gases do efeito estufas ao longo do século 21, os pesquisadores mostraram que elas serão capazes de suportar a maior parte dos danos trazidos pelo aumento de temperatura. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.
Como as florestas são capazes de armazenar uma grande quantidade de carbono, sua capacidade de resistir aos efeitos do aquecimento global é importante para o planejamento de novos programas de redução de emissão de gases do efeito estufa e de combate ao aquecimento do planeta. No entanto, essa capacidade era, até agora, incerta. "Desde os anos 2000 que se discute sobre a capacidade de a Amazônia resistir às mudanças climáticas. Algumas previsões eram muito catastróficas, mas a incerteza dos modelos usados na época ainda era muito grande", disse José Marengo, pesquisador do INPE* - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - e um dos autores da pesquisa, em entrevista ao site de VEJA.
Para realizar esse tipo de medição, os pesquisadores têm de lidar com dois tipos de incerteza. Uma delas leva em conta os diferentes aumentos de temperatura projetados para o século 21, e a outra é referente aos processos fisiológicos das plantas, que ainda não estão completamente desvendados. Por causa disso, os pesquisadores usaram simulações de computador para calcular a resiliência das florestas em 22 modelos diferentes, com aumentos de temperatura que iam até quatro graus Celsius. Os cálculos levaram em conta as florestas tropicais da América, Ásia e África.
Como resultado, descobriram que em 21 dos 22 modelos as florestas seriam capazes manter sua cobertura vegetal — ou recuperá-la— após o aumento de temperatura. Em apenas um caso houve uma diminuição nas florestas, e apenas na América. "A pesquisa mostra que não chegaremos ao extremo de as florestas desaparecerem. Na maior parte dos casos, elas podem até perder uma pequena parte de seu estoque de carbono, mas não chegarão a perder tanta massa a ponto de entrar em colapso", disse Marengo.
INCERTEZAS
Ao comparar os diferentes modelos, os pesquisadores descobriram que a maior parte das incertezas nessa medição vem dos processos fisiológicos das plantas, e não das diferentes projeções de aquecimento global. "A grande surpresa em nossa análise é que a incerteza nos modelos ecológicos das florestas tropicais é significantemente maior do que a incerteza vinda das diferenças nas projeções do clima", diz David Galbraith, pesquisador da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que participou da pesquisa.
Apesar de o estudo sugerir que o risco de as florestas sofrerem danos por causa do aquecimento global são pequenos, os pesquisadores deixam claro que não se trata de um sinal verde para a emissão de gases do efeito estufa. Eles lembram, por exemplo, que seus modelos não levaram em conta as queimadas e a derrubada intencional das florestas, que também podem afetar a quantidade de carbono armazenado. "A pesquisa não pode ser interpretada como um sinal para continuar desmatando e liberando gás carbônico na atmosfera. Ela apenas mostra que o cenário não é catastrófico: as florestas perderão robustez, mas continuarão sendo florestas", afirmou José Marengo. "Descobrimos que a floresta é razoavelmente resistente às mudanças climáticas. Não podemos continuar puxando essa resistência em direção ao colapso".
CONHEÇA A PESQUISA
TÍTULO ORIGINAL: Simulated resilience of tropical rainforests to CO2-induced climate change
ONDE FOI DIVULGADA: periódico Nature Geoscience
QUEM FEZ: Chris Huntingford, David Galbraith, Lina M. Mercado, Oliver L. Phillips, Owen K. Atkin, Carlos Nobre, Jose Marengo
INSTITUIÇÃO: Centro de Ecologia e Hidrologia, na Inglaterra
DADOS DE AMOSTRAGEM: 22 modelos climáticos que analisaram como as florestas tropicais da América, Ásia e África responderão ao aumento de emissão de gases de efeito estufa durante o século 21
RESULTADO: Os pesquisadores descobriram em 21 dos 22 modelos as florestas não sofreram grande perca de massa vegetal. Em apenas um caso, as florestas sofreram dano, mas somente na América.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Formação do Furacão Sandy visto de um satélite
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Como poderíamos ser melhores que somos!!
Não sei por que, mas sempre reluto de falar sobre isso aqui no blog. Mas hoje, vendo uma notícia que saiu no UOL Educação sobre um universitário que gasta apenas R$ 11,00 por dia, decidi escrever.
Bem. Sabemos que hoje em dia tudo, digo, tudo mesmo, está muito fácil. Como disse certa vez um político sobre os benefícios que o então Presidente Lula dera aos menos necessitados: "Na minha época o Governo ensinava a pescar; hoje ele dá o peixe". E é sobre isso que vou falar.
Quando éramos estudante secundarista (da educação básica), éramos obrigados a estudar, pois não tínhamos a facilidade que os alunos tem hoje. É reposição, é recuperação, é reposição da recuperação, enfim, são muitos benefícios para pessoas que não merecem. Não entro no mérito do Sistema Educacional, mas sim da banalidade que está hoje.
Era bom naquele tempo (só uma explicação: não que não existia reposição quando estava no ensino médio, mas na escola que estudava não tinha.) se tivesse reposição. Hoje o aluno faz reposição por nada. Alega que está doente (e a escola não pode fazer nada, já que é a família que comunicou o fato). Se está no regimento da escola então está acobertado em fazer tal avaliação fora do programado.
Em vez de estudar mais os alunos praticamente ignoram tal tempo a mais e não fazem absolutamente nada.
Em as recuperações? No meu tempo (repito, na minha escola) era só uma no ano e no último bimestre. Ainda hoje há escolas que praticam tal método, mas os alunos....... Não fazem nada para evitar. Hoje o comum é ter recuperação bimestral. Neste aspecto, lembro-me de um colega de classe meu chamado Espíndola. Espíndola se estudasse hoje, realizaria um sonho antigo dele que era não fazer final. Fique da quinta (hoje sexto ano) até o segundo ano do médio com ele e em todos os anos ele fez final. Não por que ele não estudava, mas por que eram muitas provas e ele tinha que escolher aquela que estava em maus lençóis.
Estou escrevendo isso para que vocês alunos entendam que as nossas falas (nós professores) em sala de aula da importância do estudo é por que nós sabemos que mais cedo ou mais tarde você aluno vai se arrepender de não ter estudado adequadamente.
Reflita com a notícia que estou colocando abaixo do aluno que mencionei no início do post.
Boa noite!!!!!!!!
Notícia vinculada no site UOL. (para ler na íntegra, clique aqui.)
Aluno carente da USP passa o dia com R$ 11; veja o que estudantes fazem para se manter
Ingressar na universidade pública é o sonho da maioria dos jovens brasileiros de baixa renda. Entretanto, essa não é uma tarefa fácil. Dentre diversos motivos, relatados por estudantes carentes em entrevista ao UOL, os principais deles são o sucateamento da educação básica e a dificuldade financeira em se manter na faculdade.
Aluno do curso de contabilidade na USP, oriundo de escola pública, Enedino Neres da Cruz Júnior, 19, resolveu abandonar o trabalho como auxiliar administrativo para se dedicar aos estudos. O esforço deu frutos e ele conseguiu ser aprovado nos vestibulares mais concorridos do país – USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade de Campinas). “Somos sempre o herói da nossa própria história”, diz o adolescente.
O jovem diz não ser fácil se manter na faculdade. No dia em que o UOL o acompanhou, ele gastou apenas R$ 11. “Nas primeiras semanas, tive dificuldade para pagar os três ônibus que utilizo para chegar à universidade. Depois que eu recebi a bolsa fiquei mais aliviado”, conta o estudante, que recebe um auxílio no valor de R$ 300 mensais, além dos tickets de alimentação popular (R$ 1,90 cada), ambos disponibilizados pela USP.
Morador do Jardim São Luís, zona sul de São Paulo, o universitário é o primeiro de sua família a ingressar no ensino superior público. Os pais de Enedino são divorciados e ele mora com a mãe, que trabalha como empregada doméstica e o ajuda com os gastos acadêmicos -livros, condução, alimentação e xerox.
Bilhete único sem crédito
A realidade social dos colegas de faculdade de Enedino é bem diferente da sua. “Nos primeiros dias de aula as pessoas comentavam que tinham ganhado um carro dos pais, porque passaram na universidade, e eu estava ali apenas com o meu bilhete único sem crédito, mas feliz.
“O convívio com a nova galera da faculdade é complicado. Eu estava acostumado a lidar com pessoas de poder aquisitivo relativamente baixo e agora estou aprendendo a conviver com indivíduos cuja situação financeira é mais cômoda. Mas é uma questão de adaptação.”
Enedino sonha em viajar para o exterior, dar uma vida melhor e tranquila para a mãe e trabalhar em uma instituição internacional. “Gostaria trabalhar na ONU (Organização das Nações Unidas), OMC (Organização Mundial do Comércio) ou no Banco Mundial”, revela o universitário,que atualmente trabalha como voluntário em um cursinho popular.
Estágio e curso
Morador de Caieiras, interior de São Paulo, Guilherme Duarte, 21, caçula de três filhos, é o primeiro da família a ingressar no ensino superior público. Com uma renda familiar de R$ 1.800 mensais, o estudante não conseguiria pagar a graduação se não tivesse ingressado na universidade pública. O universitário conta como é estudar engenharia naval (USP) e conciliar o estágio, já que seu curso é integral.
“Estagiar é importantíssimo na carreira de qualquer universitário. As pessoas saem da Poli (Escola Politécnica da USP) com muito conhecimento técnico, mas muitas vezes sem nenhuma experiência profissional. Além do dinheiro, que para mim é importante, acredito que a prática também contribuiu para o aprendizado”, avalia Duarte, que trancou algumas disciplinas escolares para poder trabalhar e estudar.
Antes do estágio remunerado, Guilherme se mantinha na universidade por meio de bolsas de estudos. “Nos dois primeiros anos de faculdade eu recebi um auxílio financeiro da Associação dos Engenheiros Politécnicos, no valor de R$ 465 mensais, além da bolsa de iniciação científica.”
86 quilômetros por dia
Enfrentar a distância entre Caieiras e o Butantã (86km), onde está localizada a Cidade Universitária, e o trânsito de São Paulo são alguns dos desafios constantes na rotina de Guilherme, que demora cerca de 2h para ir de um lugar ao outro. “Não ter carro e depender de transporte público dificulta. Eu já perdi várias provas porque cheguei atrasado.”
Estudar no exterior é um dos próximos passos que o jovem deseja dar para alcançar seus objetivos. “Quero me formar, viajar, conseguir um bom emprego e assumir alguma posição de alto escalão ou ser empreendedor”, deseja o futuro engenheiro.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Cogumelo que emite luz é encontrado no Brasil após 170 anos; Fungo bioluminescente é o maior do Brasil e um dos maiores do mundo.
Nesses dias de férias a atualização do blog está cada vez mais rara. Só para não perder o pique, vamos pingar o que está acontecendo no mundo moderno.
Todos nós sabemos que os fungos são seres heterótrofos por absorção, istó é, realizam a digestão extra-celular e, com isso, lanças enzimas para fora (isso explica por que os fungos são excelentes decompositores!)
Veja abaixo uma notícia retirada da BBC Brasil relacionada com os fungos: (para ver a notícia diretamente no site da BBC Brasil, clique aqui)
Pesquisadores encontraram no Piauí um cogumelo que emite luz e que tinha sido avistado pela última vez há quase 170 anos. A pesquisa do grupo de cientistas da USP e das universidades americanas de São Francisco e de Hilo, no Havaí, será publicada na revista científica Mycologia.
O Neonothopanus gardneri é o maior fungo bioluminescente do Brasil e um dos maiores do mundo.
'Já tinha encontrado alguns cogumelos que emitem luz no Brasil, mas menores, alguns do tamanho de um fio de cabelo', disse à BBC Brasil o professor Cassius Vinicius Stevani, do Instituto de Química da USP. 'Este foi o maior, um grupo deles emite quantidade considerável de luz', afirmou.
Neonothopanus gardneri é o maior fungo bioluminescente do Brasil (Foto: Cassius V.Stevani_IQ_USP
'Flor de coco'
Em 1840, o cogumelo foi descoberto pelo botânico britânico George Gardner quando viu garotos brincando com o que pensou serem vagalumes nas ruas de uma vila onde hoje fica a cidade de Natividade, em Tocantins.
Chamado pelos locais de 'flor de coco', o fungo bioluminescente foi classificado como Agaricus gardeni e não foi mais visto desde então.
'Fiquei sabendo que existiam ainda fungos assim por volta de 2001. Nos anos seguintes, me chegavam relatos de Tocantins e Goiás de um cogumelo grande, amarelo, que emitia uma luz', diz Stevani. 'Mas fotografia mesmo vi só em 2005, uma tirada no Piauí', afirma ele, que já participou de expedições noturnas para a coleta do cogumelo. 'As buscas acontecem em noites escuras, de lua nova, com as lanternas desligadas', explica.
A ciência ainda não desvendou o processo químico que permite que o fungo produza luz (Foto: Cassius V.Stevani_IQ_USP )
Curiosamente, o cogumelo ainda é conhecido popularmente em várias partes do país como 'flor de coco'. Existem 71 espécies de fungos que emitem luz, 12 delas estão presentes no Brasil . A ciência ainda não desvendou o processo químico que permite que o fungo produza luz, nem a razão disso.
Uma das teses consideradas é a de que a luz é emitida para atrair insetos noturnos, ajudando os fungos a dispersar seus esporos para a reprodução. Outra diz que a luz atrai insetos predadores que atacam insetos menores que se alimentam do fungo.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Animais que voltam, ou nunca foram.
Não, não. Esse não é mais uma daquelas notícias sobre vida após a morte, e sim sobre fatos que são, no mínimo, curiosos.
Animais que antes foram considerados extintos e que de uma hora para outra reaparecem. Mas, como? Mágica?
A melhor explicação para esse fato está no tipo de hábitat desses animais. Animais que vivem em locais de difícil acesso (as vezes impossível) e que tem por excelência uma população pequena por seu restrito nicho ecológico “desaparecem” e “reaparecem” constantemente.
Abaixo, uma compilação de reaparecimentos de alguns animais, retirado do Portal Terra.
1. Lobo Mexicano cinzento
A população do lobo mexicano cinzento é tão pequena que o nascimento de 5 filhotes em julho de 2010 foi considerado um "impacto dramático" pelo Centro de Lobos Ameaçados, em St. Louis, nos Estados Unidos. Segundo a instituição, apenas 42 desses animais vivem hoje no seu habitat natural no Novo México e Arizona. A espécie já foi considerada extinta.
2. Loris
O raríssimo Loris delgado das planícies Horton (Loris tardigradus nycticeboides) passou mais de 60 anos tido como extinto. Em 2002, a Sociedade Zoológica de Londres encontrou o primata após mais de 200 horas analisando os rastros do animal no Sri Lanka.
3. rato arbóreo de Santa Marta
O rato arbóreo de Santa Marta (Santamartamys rufodorsalis) foi "redescoberto" em 4 de maio de 2011, após mais de 100 anos sem ser visto na Colômbia.
4. Laonastes
Um tipo de roedor chamado Laonastes, parecido com um esquilo e descoberto em 2005 no Laos, é, na verdade, sobrevivente de uma espécie tida como extinta há 11 milhões de anos (denominada Diatomyidae). Uma equipe de pesquisadores americanos, franceses e chineses comparou o esqueleto deste animal com o de vários espécimes fossilizados de uma raça de roedor do Sudeste Asiático extinta há 11 milhões de anos, confirmando que se trata da mesma família de mamíferos.
5. Rã Litoria castanea
A espécie de rã minúscula Litoria castanea, supostamente extinta há três décadas, foi vista no sudeste da Austrália em fevereiro de 2010. O animal tem coloração verde com manchas em tons de dourado.
6.Minhoca gigante de Palouse
Pesquisadores da universidade de Idaho, nos Estados Unidos, encontraram em março de 2010 uma espécie de minhoca considerada extinta: a gigante de Palouse. Contudo, a descoberta também teve um lado decepcionante, já que eles descobriram que a minhoca, apesar do nome, não é gigante, nem cheira a lírios, conforme se dizia sobre a espécie. Uma das minhocas encontradas teve que ser morta e dissecada para a identificação como sendo da espécie.
7. Celacanto
O peixe primitivo Celacanto era tido como extinto juntamente com os dinossauros há 65 milhões de anos. Porém, o curador de um museu sul-africano "redescobriu" o animal em 1938. Existem apenas duas espécies de Celacantos: uma que vive perto das Ilhas Comoros, na África; e uma encontrada nas águas de Sulawesi, na Indonésia. Cientistas sugerem que a população atual do animal esteja em mil remanescentes.
8. Leão do Atlas
A subespécie Panthera leo Leo encontra-se extinta na natureza e só pode ser encontrada em zoológicos. Até agora. Esssa subespécie, conhecida como leão do Atlas, foi extinta no século XX, e apenas um pequeno grupo no Zoológico Nacional do Marrocos sobreviveu. Dois filhotes de leão da subespécie nasceram em fevereiro deste ano no zoológico de Hannover, na Alemanha. A reprodução controlada dos leões do Atlas, também conhecidos como leões berberes ou de Barbary, salvou a subespécie da total extinção e alguns indivíduos foram levados à Europa para aumentar a população. O Panthera leo Leo é o maior e mais pesado dos leões. Além do tamanho, chama a atenção no macho a juba espessa que cobre uma área maior do corpo se comparado com outras subespécies. O pelo do leão do Atlas mais longo chega às pernas da frente e ao abdome.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
A Receita Da Vida
Experimento Da "Sopa" Criadora Dos Primeiros Seres Vivos Chega Aos 50 Anos Cercado De Controvérsias
Quando o estudante de química Stanley Miller e seu professor Harold Urey conseguiram fabricar em laboratório algumas moléculas simples usadas por seres vivos, a criação de uma teoria consistente para explicar a origem da vida parecia não estar longe. Mas não foi o que aconteceu.
O experimento que mudou a maneira de os cientistas pensarem sobre a origem da vida na Terra completa no dia 15 de maio seu 50º aniversário de publicação, mas o clima da festa parece ser diferente daquele vivido em 1953.
Após meio século de pesquisas, cientistas já se deram conta de que o primeiro ser vivo - o micróbio "Adão" ancestral de todas as formas de vida que já passaram sobre a Terra - devia ter uma bioquímica bem diferente de qualquer organismo conhecido hoje. Quando Miller bolou o experimento há 50 anos, sua intenção era testar uma teoria do russo Alexander Oparin. Ele supôs que há 4 bilhões de anos, quando teria surgido a vida, a atmosfera da Terra não tinha oxigênio. As moléculas que formaram o primeiro micróbio teriam surgido pela ação de relâmpagos em uma mistura gasosa de amônia, metano e hidrogênio, sobre um caldeirão oceânico emanando vapor de água. O cenário exótico ganhou o apelido de "sopa primordial".
Reproduzindo essa mistura em laboratório, Miller surpreendeu a comunidade científica ao revelar que tinha conseguido produzir alguns tipos de aminoácidos, os "tijolos" moleculares que compõem as proteínas dos seres vivos.
Após alguns anos, geólogos mostraram ser improvável a Terra ter abrigado essa atmosfera exótica. Mas o trabalho de Miller continua motivando pesquisas sobre a origem da vida, um dos enigmas mais desafiadores da ciência.
Primeiro Ser Vivo Sumiu Sem Deixar Pistas Materiais
Em 1953, ao mesmo tempo em que um estudo de Urey e Miller sobre o experimento era examinado para publicação na revista britânica "Nature", passava pelas mãos dos editores o manuscrito de Francis Crick e James Watson sobre a estrutura do DNA, a molécula que guarda informação para o desenvolvimento de todos os seres vivos. A partir daquele ano, os cientistas teriam à mão a lista dos cinco tipos de ingredientes moleculares para fazer um ser vivo: aminoácidos (compõem as proteínas), açúcares, fosfatos e bases nitrogenadas (compõem o DNA). O problema é que, mesmo que jogássemos essas moléculas em uma sopa, seria impossível o movimento aleatório ter formado de uma hora para outra uma estrutura tão complexa quanto um ser vivo. A natureza teve que seguir uma receita em muitos passos, e os cientistas ainda tentam saber quais foram.
"O estudo da origem da vida difere marcadamente de outros problemas científicos porque tem como meta a reconstrução de um passado remoto do qual conhecemos muito pouco", diz José Fernando Fontanari, professor do Instituto de Física de São Carlos (USP). Ele se dedica, com seu grupo de pesquisas, a resolver alguns dos quebra-cabeças que impedem a formação de uma teoria consistente e abrangente para a origem da vida. Essa meta, por enquanto, é um desafio, pois há diversas teorias restritas apenas a partes do problema, e muitas não se encaixam umas nas outras. Fontanari, que tem vários estudos sobre o assunto publicados na revista "Physical Review Letters", compara seu trabalho com o de um detetive encarregado de resolver um crime sem vestígios materiais. "O melhor que se pode fazer é propor cenários que poderiam ter ocorrido", diz.
A maior das dificuldades para esses cientistas talvez seja a total ausência de fósseis dos primeiros seres a habitar a Terra. Mesmo os registros de vida mais antigos que se conhece parecem ser de micróbios bastante desenvolvidos. Já foram encontrados fósseis de estromatólitos (um tipo de colônia de micróbios) com 3,5 bilhões de anos de idade. Mas os seres unicelulares que os formaram provavelmente já eram bastante parecidos com bactérias de hoje em dia. Fósseis microbianos, aliás, são um assunto bastante controvertido. Alguns pesquisadores acham que o sinal mais antigo da vida não possui mais de 2,7 bilhões de anos.
Sem ter fósseis à mão, cientistas tentam agora achar alguma pista sobre a origem da estrutura bioquímica dos seres vivos. O problema é que as duas peças-chave da vida de hoje em dia - o DNA e as proteínas - provavelmente não estavam presentes nos seres vivos que surgiram há cerca de 4 bilhões de anos.
Requentando A Sopa
Apesar de os dados do experimento de Urey-Miller serem bastante questionáveis hoje, muitos estudiosos que pesquisam a origem da vida o consideram o marco mais importante da área. Até 1953, ainda era disseminada entre cientistas a crença de que a vida seria produto de alguma lei misteriosa da natureza, e não poderia ser explicada pela química convencional. "Mas Miller mostrou que a origem da vida era um assunto que podia ser investigado cientificamente", diz o químico Leslie Orgel, do Instituto Salk, da Califórnia, um dos mais influentes hoje nesse campo de estudo.
Os aminoácidos obtidos por Urey e Miller não eram de todos 20 tipos existentes, e até hoje nenhuma mistura de gases em testes do estilo "sopa primordial" foi capaz de produzir sozinha todas as variedades. O ambiente usado no teste de Miller era inspirado na atmosfera de planetas gigantes, como Júpiter, que tem uma composição não-oxidante, diferentemente da Terra primitiva. "É bem possível que alguns aminoácidos tenham vindo de outros planetas. Eles podem ter aparecido lá pelo mecanismo proposto por Miller", diz Orgel. Não por acaso, já se achou aminoácido em meteoritos.
Nem Ovo, Nem Galinha
O DNA é hoje o guardião de toda a informação genética das espécies e é nele que ficam as "instruções" usadas pelo organismo para fazer proteínas - as moléculas que de fato "trabalham" para manter uma célula viva. O problema é que, para poder se reproduzir e deixar "descendentes", o DNA precisa de uma proteína, chamada polimerase. Se perguntarmos quem surgiu primeiro, caímos num paradoxo do tipo ovo-galinha: um depende do outro.
DNA e proteínas compõem a maquinaria celular de qualquer ser vivo conhecido, seja ele um humano, uma ameba ou uma bactéria. Temos essa semelhança com micróbios porque tivemos um ancestral em comum - um ser unicelular também baseado em DNA e proteínas. Acontece que esse micróbio não foi o primeiro a habitar a Terra, e não temos como deduzir de cara o que veio antes dele. Mesmo que já tivéssemos mapeado o genoma de todos os seres vivos de hoje, o máximo que poderíamos fazer seria mostrar como era o último ancestral comum. O primeiro ser vivo, ancestral desse ancestral comum, continuaria sendo um mistério.
A principal solução que cientistas propõem para explicar a origem do sistema interdependente de DNA e proteínas está em uma outra molécula, o RNA (sigla de ácido ribonucléico, em inglês). O RNA é hoje uma espécie de intermediário entre o DNA e a síntese de proteínas, mas os cientistas acreditam que nem sempre ele teve esse papel secundário.
O RNA tem uma estrutura linear de polímero (molécula em corrente) semelhante ao DNA, por isso também é capaz de guardar informação genética. Na verdade ele é quem "lê" a informação do DNA e a transporta para sintetizar proteínas. Além disso, ele é capaz de atuar como alguns tipos de enzimas, proteínas que controlam reações químicas da célula.
Essa versatilidade do RNA levou o bioquímico Leslie Orgel, do Instituto Salk, na Califórnia, a criar uma solução teórica tida até hoje como a mais plausível. Sua idéia, lançada no fim da década de 60, era a seguinte: caso uma enzima de RNA fosse capaz de se auto-replicar, poderia ao mesmo tempo guardar informação genética e sustentar o metabolismo de um ser vivo - tudo isso sem precisar do DNA e da polimerase. Orgel previa a existência de um mundo de micróbios de RNA, que só foram desbancados pela seleção natural após surgir o primeiro ser vivo com DNA, molécula muito mais eficaz na tarefa de guardar informação genética e impulsionar a evolução.
Como Foi O Experimento
Uma cavidade com água fervente simulava o oceano primitivo. O vapor reagia com outros gases em meio a descargas elétricas, simulando trovões. O produto da reação era resfriado, e após alguns dias as amostras eram recolhidas para análise.
"A grande conquista dos últimos 50 anos para nosso campo de pesquisa é o consenso geral em torno da proposta do mundo de RNA", disse Orgel a GALILEU. E isso pode ser considerado meio caminho andado, porque obter consenso nessa área de pesquisa não é fácil. Basta ver o desacordo sobre as teorias para explicar o mundo pré-RNA. Há discussão para saber se a vida surgiu em água fria ou quente, doce ou salgada etc. "Muitos campos da ciência caminham para um período em que há muita especulação antes que haja tecnologia disponível para responder à questão", diz.
Para Orgel, cedo ou tarde a ciência será capaz de descartar teorias e ficar com apenas umas poucas. "Não sei quanto pode demorar, mas deve ser algo entre 5 e 50 anos."
Outro ponto mais ou menos consensual nas teorias sobre a vida primitiva é o fato de que o RNA não foi a primeira molécula auto-replicante a surgir. A ribose, o açúcar que forma a base do RNA, tem estrutura frágil demais para ter surgido em concentrações grandes o suficiente para dar início à vida. O RNA seria a evolução de uma outra molécula mais simples, só que não tão eficiente. "Aí entramos em território desconhecido, pois ninguém sabe ainda qual era", diz Orgel. Pode ter existido mais de uma molécula replicadora antes do RNA.
Resta aos cientistas tentar elaborar hipóteses plausíveis, bolando moléculas com características adequadas para encaixar no quebra-cabeça. Uma dessas criações de laboratório foi objeto do estudo mais recente de Stanley Miller, na Universidade da Califórnia em San Diego. Ele realizou em 1999 um experimento semelhante ao de 1953 (mas com ingredientes diferentes) gerando uma molécula batizada de "PNA" (sigla de ácido nucléico peptídico, em inglês). Outra molécula candidata a precursora do RNA também foi criada artificialmente na Califórnia, pelo Instituto Scripps. Ela se encaixa no RNA, mas é bem mais estável.
Essas invenções bioquímicas ajudam os cientistas a ter uma idéia melhor de o que pode ter acontecido, mas não são capazes de traçar o caminho de volta da evolução na Terra primitiva. "Não acho que chegaremos à teoria de que uma única molécula originou a vida", diz Orgel. "Teremos à mão uma família de moléculas em potencial."
"Pizza Primordial"
A origem das moléculas replicadoras não é a única etapa desconhecida sobre a origem da vida. No ano passado, Fontanari publicou um trabalho teórico sobre problemas na origem da síntese protéica: uma molécula "viva" que saísse fabricando proteínas a esmo não tiraria proveito de sua habilidade se fosse incapaz de manter-se perto do seu produto. A resposta para isso é que a vida provavelmente originou-se numa superfície mineral, talvez dentro de pequenas fendas, e não "solta" na sopa primordial. "Já se fala na noção de uma 'pizza primordial' em lugar da sopa", diz Fontanari.
A origem da vida em uma superfície mineral é uma idéia que tem conquistado cada vez mais adeptos, com o acúmulo de evidências em seu favor. Na Terra primitiva, alguns minerais podem ter sido ótimos catalisadores para a replicação de moléculas ainda incapazes de atuar como suas próprias enzimas. Entre os locais onde poderia residir essa "pizza mineral" estão as fontes hidrotermais submersas no oceano, aquecidas por atividade vulcânica. Um dos pesquisadores que trabalha com essa hipótese é o britânico Michael Russell, da Universidade de Glasgow, na Escócia. Seu estudo mais recente, publicado em dezembro último, diz que o berço da vida seria a estrutura porosa de pequenas cavidades em minerais de sulfito de ferro, presente nessas fontes.
"Sulfito de ferro é um material bem macio", diz Russell. Essas microcavidades teriam sido as primeiras células, e dentro delas teriam surgido as condições favoráveis para a vida se originar. A membrana celular, a "bolsa" que envolve as células de hoje, teria surgido a partir daí. "Nós achamos que o aspecto mais importante da vida é a membrana e que ela foi a primeira coisa a surgir", afirma. Russell diz que sua teoria deve ser submetida a testes experimentais, algo que ainda pode demorar.
"Origem da vida é um problema complicadíssimo, com muito poucos cientistas trabalhando nele, e pouca verba", diz. "Acho que dentro de uns 20 anos vamos ver experimentos importantes." A previsão até que pode ser encarada com algum otimismo. Não seria nada mal levar menos de um século para contar uma história de 4 bilhões de anos.
A Vida Como Ela Era
Os ingredientes dos seres vivos antes de surgir o DNA:
Tijolos Orgânicos
Antes do primeiro ser vivo aparecer, era necessário que estivessem à sua disposição as moléculas orgânicas relativamente simples, como aminoácidos, açúcares e bases nitrogenadas, que juntas formam as moléculas mais complexas dos seres vivos. Acredita-se que a maioria desses ingredientes tenha se formado em reações químicas na Terra primitiva, mas algumas podem ter chegado ao planeta em meteoritos ou cometas.
Moléculas Auto-Replicadoras
A condição básica para a origem da vida é o surgimento de um polímero (molécula linear formada por várias moléculas-bases encadeadas) capaz de se auto-copiar sem a ajuda de outras moléculas. Já se mostrou que o RNA (ácido ribonucléico) seria capaz de fazer isso, mas provavelmente ele foi precedido por uma molécula (ou moléculas) mais simples, um proto-RNA.
Parede Celular
Outro elemento fundamental da vida terrestre é a membrana celular, que nos organismos de hoje protege o material genético de degradação e cria um limite físico para o ser vivo. Alguns pesquisadores acham que ela pode ter surgido antes da primeira molécula replicadora.
RNA
O RNA provavelmente foi a primeira das moléculas genéticas conhecidas a surgir, pois seria capaz de fazer sozinho aquilo que os seres vivos de hoje só conseguem fazer com ajuda das proteínas. Moléculas de RNA atuariam como catalizadoras - promotoras de reações químicas -, sendo capazes de copiar a si próprias.
Proteínas
Uma grande conquista das moléculas replicadoras foi a habilidade de fazer proteínas colando aminoácidos. Proteínas são catalisadoras muito melhores e mais especializadas do que moléculas de RNA. Alguns estudiosos acreditam que mesmo antes do RNA catalítico, o código genético já era capaz de produzir algumas proteínas simples.
DNA
Quando a vida ainda era unicelular, mas já tinha se tornado um bocado complexa, o DNA tomou o lugar do RNA como guardião da informação genética, pois era uma molécula muito mais resistente à degradação. O RNA passou então a exercer um papel de intermediário entre o DNA e os aminoácidos, na produção das proteínas. Hoje o material genético é incapaz de se replicar sem a ajuda de proteínas.
Ilustrações: Daniel das Neves
Revista Galileu – por Rafael Garcia (clique aqui pra ver na íntegra a reportagem)
O novo mapa do Brasil
No começo do ano, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que propunha a criação de um plebiscito para dividir o Pará em três novos estados: Pará, Tapajós e Carajás. Além dessa votação, oito projetos de lei que propõem a criação de novos estados no país tramitam na Câmara. Entre eles, estão a criação do Maranhão do Sul, do Mato Grosso do Norte e do Estado do Rio São Francisco, na Bahia. Se todos fossem aprovados, o Brasil teria 33 estados, um Distrito Federal e quatro territórios – porções fronteiriças do País que seriam administradas diretamente pelo governo federal. Mas, segundo o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Rogério Boueri, essas novas unidades federativas não seriam capazes de sustentar sozinhos. “Eles seriam muito caros e o governo federal teria que cobrir a diferença”, diz.
Em 2008, você realizou um estudo mostrando que a criação de novos estados no Brasil seria financeiramente inviável. Isso mudou de lá para cá?
Não. Eu desenvolvi uma metodologia pra estimar quanto custa o funcionamento da maquina pública dos estados. Se soubermos qual vai ser a população e o PIB de um novo estado, conseguimos calcular quanto esse estado vai gastar. Atualizando os números do meu estudo de 2008, a criação dos estados de Tapajós e Carajás traria um déficit de dois bilhões de reais por ano.
E de onde sairia o dinheiro para cobrir esse déficit? Do governo federal?
Isso não está especificado, mas não tem existe alternativa. Na proposta de criação dos novos estados, um dos defensores diz que primeiro deveria ser aprovada a criação do estado, para depois se pensar nos custos. Isso deixa claro que ele sabe que o estado vai ter um custo e alguém vai ter que bancar.
De onde veem esses custos?
No caso do Pará, nós vamos ter um monte de estruturas em triplicidade. Por exemplo, vamos ter três executivos: três governadores, três conjuntos de secretários e assessores. Teremos três assembléias legislativas, três justiças estaduais. Enfim, todo um aparato para o funcionamento de um estado. Além de tudo, esses custos possivelmente estão subestimados. Não estou calculando o preço de nenhum tijolo para construir prédios novos ou asfalto para construir estradas. Essa infra-estrutura toda terá que ser paga por alguém. No caso do Tocantins, o último estado a ser criado no Brasil, foi o governo federal quem bancou. Durante dez anos ele ficou suplementando as verbas do estado.
Como é possível saber se um novo estado será capaz de se sustentar?
O que eu faço é calcular o peso da máquina pública em relação ao PIB do novo estado. Minha intenção é medir se ele tem base econômica para sustentar essa estrutura toda. No caso do Tapajós, os gastos estaduais corresponderiam a 51% de seu PIB. No caso do Carajás, seria 23%. A média brasileira é 12,5%. Nós estaremos criando estruturas ainda mais ineficientes.
Então, do ponto de vista orçamentário, não vale a pena criar os novos estados?
São estados que sairiam muito caros e o governo federal teria que cobrir a diferença, porque eles não são auto-sustentáveis. Então vamos criar um estado que no nascedouro já é dependente do governo federal? Isso me parece não ser uma boa política de desenvolvimento. A aprovação desse decreto legislativo que instaura o plebiscito deveria ter tido o cuidado de dizer de onde virá o dinheiro que vai pagar a conta
sábado, 18 de junho de 2011
Nossa herança Europeia
sexta-feira, 17 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Perigos do Celular Pirata
sexta-feira, 10 de junho de 2011
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domingo, 29 de maio de 2011
Novo Acordo Ortográfico
As novas regras ortográficas já estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009, e de acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, haverá um período de transição até 2012 em que serão válidas as duas formas de escrever: a antiga e a nova.
Portanto, esse tempo já está se esgotando.
Senti necessidade de postar essa notícia por que toda vez que vou preparar um material preciso consultar a regra para se adequar. Abaixo alguns pontos do acordo.
Veja as regras atuais e o que vai mudar na língua portuguesa:
Alfabeto |
Nova Regra |
Como é |
Como será |
Trema |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Acentuação – ditongos "ei" e "oi" |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Obs.: Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu. |
Acentuação – "i" e "u" formando hiato |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Obs 1: Se a palavra for oxítona e o "i" ou "u" estiverem em posição final o acento permanece: tuiuiú, Piauí. Obs 2: Nos demais "i" e "u" tônicos, formando hiato, o acento continua. Exemplo: saúde, saída, gaúcho. |
Hiato |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Palavras homônimas |
Nova regra |
Não existirá mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual, som e sentido diferentes) |
Como é |
Pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pêra/pera, pólo/polo |
Como será |
para, pela, pelo, pera, polo |
Obs. 1: O acento diferencial ainda permanece no verbo poder (pôde, quando usado no passado) e no verbo pôr (para diferenciar da preposição por). Obs. 2: É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo? |
Hífen – "r" e "s" |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Hífen – mesma vogal |
Nova Regra |
Como é |
Como será |
Hífen – vogais diferentes |
Nova regra |
Como é |
Como será |
Obs.: A regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por h: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo. |
Trema – desaparece em todas as palavras | |
Antes | Depois |
Freqüente, lingüiça, agüentar | Frequente, linguiça, aguentar |
* Fica o acento em nomes como Müller | |
Acentuação 2 – some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas | |
Antes | Depois |
Baiúca, bocaiúva, feiúra | Baiuca, bocaiuva, feiura |
* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí | |
Acentuação 4 – some o acento diferencial | |
Antes | Depois |
Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa | Para, pela, pelo, polo, pera, coa |
* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo | |
Acentuação 5 – some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar | |
Antes | Depois |
Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você | Averigue, apazigue, ele argui, enxague você |
Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas | |
Hífen – veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos: | ||
Prefixos | Usa hífen | Não usa hífen |
Agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi, sobre, supra, tele, ultra... | Quando a palavra seguinte começa com h ou com vogal igual à última do prefixo: auto-hipnose, auto-observação, anti-herói, anti-imperalista, micro-ondas, mini-hotel | Em todos os demais casos: autorretrato, autossustentável, autoanálise, autocontrole, antirracista, antissocial, antivírus, minidicionário, minissaia, minirreforma, ultrassom |
Hiper, inter, super | Quando a palavra seguinte começa com h ou com r: super-homem, inter-regional | Em todos os demais casos: hiperinflação, supersônico |
Sub | Quando a palavra seguinte começa com b, h ou r: sub-base, sub-reino, sub-humano | Em todos os demais casos: subsecretário, subeditor |
Vice | Sempre: vice-rei, vice-presidente | |
Pan, circum | Quando a palavra seguinte começa com h, m, n ou vogais: pan-americano, circum-hospitalar | Em todos os demais casos: pansexual, circuncisão |
As novas regras ortográficas estão valendo desde o dia 1º de janeiro de 2009. De acordo com o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até 2012 valem as duas formas de escrever: a antiga e a nova. No Ano Novo começa o chamado "período de transição". Portugal, que também aprovou o acordo ortográfico, adotará as novas regras até 2014.
O guia acima traz as mudanças que já estão definidas. Ainda há exceções - por exemplo, no uso do hífen - que deverão ser discutidas entre as Academias de Letras dos países que falam a língua portuguesa. Espera-se que a Academia Brasileira de Letras organize um vocabulário até fevereiro de 2009.
Vale lembrar que o que muda é a grafia. Ou seja, nada de pronunciar "lin-gui-ça". A fala continua a mesma, mesmo sem os dois pontinhos em cima do "u".
A Academia Brasileira de Letras (ABL) lançou a 2ª edição de um dicionário que tira dúvidas sobre o uso do hífen nas novas normas de ortografia. As principais definições se referem aos prefixos "co" e "re", que permaneciam uma incógnita. A primeira edição da obra, chamada "Dicionário Escolar da Língua Portuguesa" continha palavras desatualizadas.
Verbete 1ª edição | verbete 2ª edição (grafia correta) |
ante‐sala | antessala |
beribéri | beri‐béri |
chá da índia | chá‐da‐índia |
co‐herdar | coerdar |
co‐herdeiro | coerdeiro |
cricri | cri‐cri |
cricrilar | cri‐crilar |
frufru | fru‐fru |
giga-hertz | giga‐hertz |
gluglu | glu‐glu |
hãhã | hã‐hã |
mega-hertz | mega‐hertz |
nhenhenhém | nhem‐nhem‐nhém |
póstero‐exterior | posteroexterior |
póstero‐inferior | posteroinferior |
póstero‐interior | posterointerior |
póstero‐superior | posterossuperior |
quilohertz | quilo‐hertz |
re‐edificação | reedificação |
re‐edificar | reedificar |
re‐editar | reeditar |
re‐educação | reeducação |
re‐educar | reeducar |
re‐eleger | reeleger |
re‐eleição | reeleição |
re‐eleito | reeleito |
re‐embolsar | reembolsar |
re‐embolso | reembolso |
re‐encarnação | reencarnação |
re‐encarnar | reencarnar |
re‐encontrar | reencontrar |
re‐encontro | reencontro |
re‐engenharia | reengenharia |
re‐entrância | reentrância |
re‐entrante | reentrante |
re‐entrar | reentrar |
re‐enviar | reenviar |
re‐erguer | reerguer |
re‐escalonamento | reescalonamento |
re‐escalonar | reescalonar |
re‐escrever | reescrever |
re‐escrito | reescrito |
re‐estruturação | reestruturação |
re‐estruturar | reestruturar |
re‐estudar | reestudar |
re‐exame | reexame |
re‐examinar | reexaminar |
romeu‐e‐julieta | romeu e julieta |
tantã (gongo) | tam‐tam |
tão‐só | tão só |
tão‐somente | tão somente |
tintim | tim‐tim |
tique taque | tique‐taque |
tititi | ti‐ti‐ti |
xique‐xique (planta) | xiquexique |
ziziar | zi‐ziar |